G-8 promete ação decisiva para combater pobreza

Os líderes do Grupo dos Oito (G-8, os sete países mais industrializados do mundo mais a Rússia), abalados pela violência das manifestações contra o capitalismo, encerraram neste domingo seu encontro anual, prometendo atrair os países pobres para a economia mundial e fazer a globalização funcionar. Após uma reunião em separado, os presidentes de Estados Unidos e Rússia, George W. Bush e Vladimir Putin, anunciaram um inesperado acordo para vincular o plano norte-americano de construir um escudo antimísseis à redução dos arsenais nucleares uma medida que deverá diminuir as tensões entre os dois países. Após três dias de duros combates entre manifestantes e a polícia - que deixaram um ativista morto, cerca de 300 feridos, quase 180 detidos além de um prejuízo de aproximadamente US$ 6 milhões - o G-8 prometeu um "diálogo livre e aberto" com seus cidadãos e ações decisivas para combater a pobreza, especialmente na África. "Estamos determinados a fazer a globalização funcionar para todos os nossos cidadãos e especialmente nos países pobres", indicou o comunicado final do encontro na cidade Gênova, norte da Itália. Atendendo em parte ao principal pedido dos mais de 150.000 manifestantes que se congregaram em Gênova, os líderes do G-8 deram novos passos em favor dos pobres, com a redução de US$ 53 bilhões da dívida externa de 23 países, que atinge US$ 74 milhões. No entanto, os líderes de Grã-Bretanha, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Rússia e Estados Unidos fracassaram em chegar a um acordo sobre o Protocolo de Kyoto, de redução de emissões de gases e o aquecimento global. Boa parte dos desacordos foram provocados pela atitude decidida de Bush, que participou pela primeira vez de uma reunião do G-8. O presidente norte-americano já havia deixado claro antes de ir a Gênova que não estava disposto a ceder sobre Kyoto. Os líderes do G-8 não tiveram dificuldades para acertar, ao longo dos três dias de encontro, um Fundo Mundial para a Aids e a Saúde (no valor de US$ 1,2 bilhão), seu apoio a um plano de desenvolvimento para a África - sem cifras nem prazo determinados - e uma vaga declaração sobre a possibilidade de enviar observadores internacionais para o Oriente Médio. Os presidentes e chefes de governo estiveram reunidos desde sexta-feira no Palácio Ducal, no centro velho de Gênova, em uma chamada zona vermelha de segurança cercada por barreiras de concreto e metal e protegidos por cerca de 20.000 policiais e soldados. Em seu comunicado final, os líderes do G-8 agradeceram aos cidadãos de Gênova, mas deploraram "a violência, a perda de vida e o vandalismo". O governo italiano aprovou um pacote inicial de aproximadamente US$ 6 milhões para ajudar a pagar os prejuízos causados pelos manifestantes antiglobalização. No início da tarde de hoje, os ativistas já haviam abandonado a cidade portuária, deixando carros e imóveis incendiados, vitrines quebradas e propriedades pichadas e destruídas. Os promotores italianos abriram hoje uma investigação para determinar se um policial de 21 anos esteve realmente envolvido na morte do ativista italiano Carlo Giuliani, de 23 anos, na sexta-feira. Ele levou um tiro quando arremessava um extintor contra um jipe das forças de segurança. Bush disse hoje que os arruaceiros não impedirão os líderes internacionais de manterem conversações. "As pessoas podem protestar, mas os que argumentam que estão falando a favor dos pobres e os que alegam que o fim do comércio beneficiará os pobres estão terrivelmente errados", disse. O primeiro-ministro do Canadá, Jean Chretien, que será o anfitrião da reunião de cúpula do próximo ano, disse que ela será realizada na localidade de Kananaskis, na Província de Alberta. A intenção é dificultar a ida dos manifestantes antiglobalização e reduzir drasticamente a violência. Kananaskis quase não tem comércio nem praticamente habitantes. Apenas 400 trabalhadores da indústria turística vivem ali e há apenas dois hotéis, com um total de 350 quartos. "Se quiserem vir, terão de trazer seu saco de dormir", disse Chrétien, acrescentando que na próxima cúpula cada delegação deverá levar apenas de 30 a 35 pessoas. O presidente Bush chegou hoje à tarde a Roma, onde realizará uma visita oficial de dois dias. Ele aproveitou suas primeiras horas na cidade para passear pelos lugares mais importantes da antiga Roma acompanhado de sua mulher, Laura, e de uma de suas filhas, Barbara. Bush se reunirá amanhã com o presidente italiano, Carlo Azeglio Ciampi, e com o primeiro-ministro, Silvio Berlusconi. O presidente norte-americano também será recebido pelo papa João Paulo II em sua residência de verão de Castelgandolfo, na periferia da capital italiana. Na terça-feira pela manhã, Bush fará uma breve visita à província sérvia de Kosovo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.