G20: União Europeia defenderá maior participação de emergentes no FMI

Para Durão Barroso, os países da UE 'terão que ser flexíveis' para alcançar equilíbrio.

Marcia Bizzotto, BBC

31 de março de 2009 | 13h09

O presidente da Comissão Europeia (órgão Executivo da União Europeia), José Manuel Durão Barroso, afirmou nesta terça-feira que vai defender na cúpula do G20 em Londres, no próximo dia 2, que as economias emergentes passem a ter uma "participação equitativa" na estrutura do Fundo Monetário Internacional (FMI) e outras instituições financeiras internacionais.

"A questão de representação e responsabilidade no FMI é importante. A representação nas instituições internacionais deve refletir a realidade, não a história. As economias emergentes devem ter uma participação equitativa", afirmou em entrevista coletiva em Bruxelas.

Para o presidente do Executivo europeu, os países da UE "terão que ser flexíveis" ao decidir como proporcionar esse equilíbrio.

Barroso também defenderá que o Fórum de Estabilidade Financeira (FSF, na sigla em inglês) - um organismo internacional criado pelo G7 e escolhido pelo G20 para coordenar as reformas do sistema financeiro internacional - inclua todos os membros do grupo do 20 e trabalhe em parceria com o FMI para produzir alertas em caso de riscos para a estabilidade macroeconômica ou financeira.

Ajuda aos mais pobres

Em sua posição comum, os 27 países da UE deverão pedir mandatos mais fortes para essas duas instituições e mais fundos para o FMI, ao qual destinarão 75 milhões de euros adicionais, "a fim de que possa ajudar as economias em dificuldade" a restabelecer o fluxo de crédito.

Barroso admitiu que "os países em desenvolvimento não devem pagar o preço de uma crise gerada no mundo desenvolvido" e, para ajudá-los, disse que irá sugerir a criação de um "instrumento global para o financiamento do comércio", mas não explicou como seria seu funcionamento.

"Temos a obrigação de oferecer mais apoio para ajudar os países mais pobres durante a crise. Não pode haver recuperação sem justiça em relação aos países em desenvolvimento", limitou-se a afirmar.

Prioridades

Apesar de reconhecer que a reunião em Londres desta quinta-feira "não acabará com a crise da noite para o dia", Barroso disse confiar em resultados concretos, especialmente em alguns pontos que considera fundamentais, como a "coordenação mundial" de planos de estímulo fiscal e dos sistemas de supervisão das instituições financeiras internacionais.

Bruxelas quer que o G20 concorde em aumentar a regulação sobre os hedge funds e as agências de avaliação de crédito, além de tomar medidas contra os paraísos fiscais.

O bloco também pedirá que, dentro de seus planos de recuperação econômica, os demais países se comprometam em investir em tecnologias que reduzam as emissões de gases causadores do efeito estufa e melhorem a eficiência energética.

Ao mesmo tempo, os europeus voltarão a insistir na importância de seguir no caminho da liberalização comercial, com o argumento de que "não pode haver recuperação sem um comércio livre e justo", em palavras de Barroso.

"O G20 deve repetir alto e claro três palavras importantes: não ao protecionismo", defendeu o presidente da CE, ressaltando que a conclusão da Rodada Doha poderia dar um impulso de 150 bilhões de dólares por ano ao comércio mundial.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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