G8 alerta para risco de pressões inflacionárias no mundo

Ministros do grupo pediram aumento na produção de petróleo e cogitam 'especulação' por trás de alta

Efe,

14 de junho de 2008 | 09h05

Os ministros de Finanças do G8 (grupo que reúne as sete nações mais ricas do mundo e a Rússia) alertaram neste sábado, 14, para a alta do preço das matérias-primas e pediram aumento da produção de petróleo, cujo preço dobrou em um ano. Embora não tenha havido consenso, o comunicado final do encontro aponta que "movimentos especulativos" estariam por trás da alta da commodity. "Temos sérias preocupações com o forte aumento do preço do petróleo, que superou recordes passados em termos nominais e reais, e com seu impacto na estabilidade econômica global, no bem-estar das pessoas e nas previsões de crescimento", ressaltaram. A reunião econômica, uma das mais importantes realizadas antes da cúpula do G8 em Hokkaido (norte do Japão), em julho, terminou neste sábado.  Outros fatores levantados para justificar a alta do petróleo foram "o aumento da demanda mundial e a pouca oferta", além de "preocupações geopolíticas". O grupo de ministros decidiu encomendar ao Fundo Monetário Internacional (FMI) um estudo sobre o possível impacto da especulação na alta do petróleo, o que os EUA rejeitam veementemente.  Só o ministro de Finanças italiano, Giulio Tremonti, foi claro durante esta reunião ao apontar a especulação como um dos fatores da escalada do petróleo, que recentemente beirou os US$ 140 o barril, e pedir que se interrompa a alta dos preços da commodity. E o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, admitiu em entrevista coletiva que esse assunto foi tratado pelos ministros durante a reunião e que será tarefa de seu organismo, durante os próximos meses, analisar até que ponto a especulação está afetando os preços do petróleo. Em sua opinião, há razões "de economia real" por trás desse forte encarecimento dos preços das matérias-primas, principalmente o desequilíbrio entre oferta e demanda, apesar de ter admitido que isso "não é suficiente para explicar" um aumento tão forte. Por outra parte, os participantes da reunião constataram que a economia mundial avança em ritmo lento, apesar de terem ressaltado que a desaceleração não foi tão grave como se temia. Como é comum, os ministros lançaram uma mensagem de confiança no futuro. Neste sentido, o ministro de Finanças esloveno, Andrej Bajuk, destacou que a economia da União Européia (UE), cuja presidência rotativa é ocupada por seu país, se comportou "relativamente bem". Já Strauss-Kahn ressaltou que os dados macroeconômicos do primeiro trimestre foram melhor do que o esperado nos EUA, na Europa e no Japão. A mudança climática, a pressão inflacionária, a desaceleração econômica global e a fraqueza do dólar foram alguns dos assuntos debatidos nesta cúpula, da qual participaram como convidados ministros de economias emergentes, como o Brasil. A presidência japonesa do G8 não deixou a oportunidade de buscar apoios para a luta contra a mudança climática e, assim, os ministros respaldaram os novos fundos que Japão, Reino Unido e EUA promovem para fomentar energias limpas nas nações em desenvolvimento. Esses três países querem reunir um fundo de US$ 10 bilhões, mas hoje só conseguiram o respaldo expresso dos membros do G8 a essa iniciativa voltada a aumentar o financiamento público e privado para programas contra a mudança climática..

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