Juan Ignacio Roncoroni/EFE
Juan Ignacio Roncoroni/EFE

'Gabinete de Fernández é muito político e economicamente desnecessário', afirma economista

Para Fausto Espotorno, escolha de Martín Guzmán para ministério da Economia argentino é técnica, porém ainda incerta

Entrevista com

Fausto Espotorno, economista argentino

Carla Bridi, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2019 | 07h00

O presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, oficializou na sexta-feira, 6, os nomes dos ministros que vão compor seu gabinete, a partir da semana que vem. Entre os nomes mais aguardados que ainda estavam em sigilo, estava o do chefe da pasta da Economia, Martín Guzmán.

O economista Fausto Espotorno avalia a escolha de Guzmán e a imagem que o gabinete, de maneira geral, transmite para a economia e a maneira de se fazer política do novo governo, que terá como vice-presidente a ex-mandatária Cristina Kirchner

O que podemos esperar do ministro da Economia?

Na verdade, há dois ministros nesta área. Martín Guzmán é um acadêmico. Ele não trabalhou muito tempo na Argentina. Tem bons níveis acadêmicos, assim sendo mais heterodoxo em matéria econômica. Sua especialidade é em reestruturação de dívidas, mas não tem muita experiência no Estado. Já Matías Kulfas (ministro da Produção) é professor universitário, que tem um viés econômico, mas mais acadêmico do que a prática em si. Mas, ao menos, Kulfas tem trabalhado bastante na Argentina, há muito tempo, mas me parece que terá uma função mais secundária como ministro de Produção.  

Com essas escolhas, a Argentina mostra que pode se recuperar?

Fernández não montou um gabinete para passar uma imagem aos credores. As escolhas econômicas foram técnicas. Ele não deve tratar a questão a partir de um ponto de vista ideológico. No início, deve haver um engarrafamento de pautas, mas não acredito que Guzmán adote políticas de arrocho para a população.

Em termos gerais, qual imagem o gabinete de Fernández passa?

É um gabinete muito político. É absurdamente e desnecessariamente grande, do ponto de vista econômico, porque não representa uma redução de gastos. Mas é preciso que seja assim, do ponto de vista político, porque é importante Fernández formar uma aliança para unir o peronismo. E, como todos os governos de coalizão, requer uma grande quantidade de ministros. 

Você mencionou que o gabinete está grande. Houve um aumento entre o governo do atual presidente Maurício Macri e o de Fernández?

Mais ou menos. Basicamente houve poucas vezes em que existiu um gabinete tão grande como este. Mas agora está do mesmo tamanho daquele que Macri montou no início de seu governo. Havia 21 ministérios, depois ele foi cortando. Historicamente, na Argentina, havia oito ministros. 

Como você avalia a escolha de Felipe Solá como chanceler?

Vale uma atenção especial a escolha de Felipe Solá, que foi uma surpresa para várias pessoas. Apesar dele não ser muito reconhecido por sua experiência em questões internacionais, é visto como um político de primeiro nível. Mesmo com esse trunfo, não está claro se sua especialidade é em relações internacionais. 

 

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