Asmaa Waguih/Reuters
Asmaa Waguih/Reuters

Gabinete de governo do Egito renuncia em meio a protestos

Enfrentamentos entre manifestantes e forças de segurança chega ao terceiro dia na Praça Tahrir

Agência Estado e Reuters

21 Novembro 2011 | 17h19

CAIRO - O gabinete de ministros apontado pals Forças Armadas do Egito apresentou sua renúncia nesta segunda-feira, 21, em meio a uma nova crise de violência que o país vive desde o final de semana. Não ficou claro se o conselho militar que governa provisoriamente aceitaria o pedido, embora o canal árabe Al-Jazira tenha informado que a renúncia foi aceita.

 

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O gabinete havia informado que apresentou sua renúncia no domingo, logo após o agravamento dos enfrentamentos entre manifestantes e as forças de segurança na Praça Tahrir, no centro do Cairo.

 

Num comunicado divulgado mais cedo pela agência de notícias estatal MENA, o porta-voz do gabinete, Mohammed Hegazy, disse que "o governo do primeiro-ministro Essam Sharaf entregou sua renúncia ao Conselho Supremo das Forças Armadas." Ainda segundo o porta-voz, o gabinete "continuará a trabalhar até que um novo nome seja apontado".

 

Os militares agora buscam um novo primeiro-ministro, afirmou uma fonte do governo. Não haverá nenhum anúncio formal até que o conselho chegue a um consenso sobre o candidato.

 

Protestos

 

Os protestos tiveram início na sexta-feira, quando milhares de pessoas foram à Preça Tahrir cobrar as reformas democráticas prometidas pelo conselho militar após a queda do regime de 30 anos do ditador Hosni Mubarak. O local, no centro da capital egípcia, foi palco dos protestos que derrubaram a ditadura em fevereiro.

 

O chefe dos necrotérios do Cairo disse que o número total de mortos subiu nesta segunda-feira a 24, desde que os confrontos começaram. Ele falou sob anonimato. Centenas de manifestantes foram feridos, de acordo com as autoridades. No domingo, a crise se agravou quando o ministro da Cultura, Emad Abu Ghazi, renunciou em protesto contra a violência.

 

A Coalizão da Revolução Jovem e o movimento 6 de abril pediram a renúncia imediata de Sharaf e a formação de um governo "de salvação nacional". Os grupos também pediram que ocorram eleições presidenciais em abril de 2012.

 

Muitos egípcios acreditam que Sharaf era apenas uma figura controlada pelo Conselho Supremo das Forças Armadas, chefiadas por Hussein Tantawi, e acusam os militares de tentar manter o poder e atrasar o processo democrático. Muitos manifestantes cantavam slogans pedindo a saída de Tantawi.

 

Os tumultos ocorrem apenas uma semana antes de o Egito iniciar as eleições parlamentares, que seriam um marco para a transição democrática do país. Ativistas, porém, acreditam que os militares dominarão o governo, não importa qual partido consiga a maioria. O Exército afirma que só entregará o poder após as eleições presidenciais, que devem ocorrer no final de 2012 ou no início de 2013.

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