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Dan Balilty/The New York Times
Artilharia israelense dispara perto da fronteira com a Faixa de Gaza  Dan Balilty/The New York Times

Israel e Hamas aprovam cessar-fogo na Faixa de Gaza após pressão internacional

As negociações avançaram um dia depois de o presidente americano, Joe Biden, pedir a redução das hostilidades e com a mediação do Egito; conflito matou 232 palestinos e 12 israelenses

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2021 | 16h24
Atualizado 21 de maio de 2021 | 05h32

JERUSALÉM - Israel e o Hamas, o movimento islâmico no poder na Faixa de Gaza, aprovaram um cessar-fogo com o objetivo de encerrar 11 dias de combates sangrentos na região. Como anunciado previamente pelas partes, a trégua entrou em vigor às 2h desta sexta-feira (hora local, 20h desta quinta-feira, 20, em Brasília). A partir deste momento, as partes se comprometeram a encerrar a escalada bélica

"O gabinete (de segurança) aceitou unanimemente a recomendação dos oficiais de segurança de aprovar a iniciativa egípcia de um cessar-fogo bilateral sem condições", disseram as autoridades israelenses em um comunicado. Na Faixa de Gaza, o Hamas e a Jihad Islâmica, segundo grupo armado no território palestino, confirmaram o acordo. 

O gabinete do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, aprovou a trégua após a forte pressão dos Estados Unidos para interromper a ofensiva. Na quarta-feira, em um telefonema ao premiê, o presidente americano, Joe Biden, pediu a redução das hostilidades. Em um pronunciamento na TV, Biden comemorou o acordo e prometeu tanto ampliar a ajuda humanitária à Faixa de Gaza quanto manter a assistência militar a Israel

Mais cedo, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, afirmou ter conversado com o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gabi Ashkenazi, e reiterou a mensagem de Biden de que os EUA esperavam ver uma desaceleração do conflito entre israelenses e palestinos. Os líderes israelenses se reuniram nesta quinta-feira, 20, para discutir a ofensiva

As negociações foram possíveis com a mediação do Egito. O presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sissi, ordenou que duas delegações de segurança fossem para Israel e para os territórios palestinos (Faixa de Gaza e Cisjordânia) e trabalhassem para alcançar o cessar-fogo, como informou a TV estatal egípcia. Diplomatas do Catar e das Nações Unidas também ajudaram na mediação. Hamas nunca reconheceu a existência de Israel, que considera o grupo uma organização terrorista. 

A União Europeia elogiou, nesta sexta-feira, o cessar-fogo entre Israel e o movimento palestino Hamas na região de Gaza, e prometeu aumentar os esforços por uma "solução política" de longo prazo para resolver a crise.

"A União Europeia saúda o cessar-fogo anunciado que põe fim à violência em Gaza. Felicitamos o Egito, Qatar, as Nações Unidas, os Estados Unidos e outros que desempenharam um papel facilitador neste processo", disse, em comunicado, o Alto Representante de Relações Exteriores do bloco, Josep Borrell.

"Estamos consternados e lamentamos a perda de vidas nos últimos 11 dias. Como a UE reitera constantemente, a situação na Faixa de Gaza há muito tempo é insustentável", acrescentou a nota.

Poucos minutos depois dos anúncios, já na contagem regressiva para o cessar-fogo, os lados voltaram a se atacar e continuaram até minutos antes de a trégua entrar em vigor. Sirenes alertaram sobre a chegada de foguetes em comunidades da fronteira israelense, e um repórter da agência de notícias Reuters ouviu um ataque aéreo em Gaza. Não houve notícias imediatas de vítimas. Mais cedo, Israel desencadeou uma onda de ataques aéreos na Faixa de Gaza e o Hamas também promoveu disparos contra o território israelense. 

Desde o início dos combates em 10 de maio, as autoridades de saúde em Gaza dizem que 232 palestinos, incluindo 65 crianças e 39 mulheres, foram mortos e mais de 1,9 mil ficaram feridos em bombardeios aéreos. 

Autoridades em Israel contam ao menos 12 mortes, entre elas duas crianças, e centenas de feridos, vítimas dos foguetes do Hamas. 

Netanyahu se reuniu na quinta-feira com seu gabinete de segurança para revisar até que ponto os militares tinham atingido o Hamas, incluindo a destruição de sua rede de túneis e seu arsenal de foguetes e lançadores. Ele e outras autoridades israelenses insistiram que o bombardeio de Gaza continuaria enquanto fosse necessário para salvaguardar a segurança israelense.

Temor de uma trégua frágil

Acordos de cessar-fogo anteriores entre Israel e Hamas muitas vezes falharam, inclusive em 2014, quando as tréguas ruíram pelo menos duas vezes durante uma guerra de sete semanas. Mas eles podem oferecer períodos de calma para permitir tempo para a negociação de um acordo de longo prazo. Eles também dão aos civis a chance de se reagruparem e permitem que os deslocados voltem para suas casas.

Hamas e Israel estão envolvidos em alguma forma de conflito desde que o grupo palestino foi fundado, na década de 80. Esta rodada específica de ação militar começou quando o Hamas disparou uma enxurrada de foguetes contra Jerusalém em resposta a várias batidas policiais na Esplanada das Mesquitas, onde fica a mesquita de Al-Aqsa, um dos três locais mais sagrados do Islã, e aos despejos planejados de várias famílias palestinas de suas casas na cidade.

Para Entender

As origens do conflito entre israelenses e palestinos

Conheça um pouco sobre a história do conflito entre israelenses e palestinos, cujo novo capítulo de confronto já deixou mortos de ambos os lados

Mesmo que a luta pare, suas causas primárias ainda permanecem: a batalha pelo direito à terra em Jerusalém e na Cisjordânia, tensões religiosas na Cidade Velha de Jerusalém e a ausência de um processo de paz para resolver o conflito. Gaza permanece sob um bloqueio punitivo de Israel e Egito. 

Embora o conflito tenha forjado um raro momento de unidade entre os palestinos em toda a Cisjordânia, Israel e Gaza, ainda não está claro se isso alterará significativamente sua posição e sentimento de opressão.

O atual conflito também levou a dias de ataques violentos dentro de Israel por grupos árabes e judeus enraivecidos, e destacou décadas de frustração entre os cidadãos árabes de Israel, que representam cerca de 20% da população e enfrentam discriminação frequente.

Palestinos clamam vitória

Na manhã de sexta-feira, horário local, milhares de palestinos se reuniram nas ruas para celebrar o cessar-fogo, com muitos deles enxergando a trégua como uma custosa, mas clara vitória para o grupo militante Hamas contra Israel. 

O conflito de 11 dias deixou mais de 200 mortos — a grande maioria palestinos — e trouxe devastação generalizada para a já empobrecida Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas. Mas os lançamentos de foguetes que paralisaram grande parte de Israel foram vistos por muitos palestinos como uma resposta ousada aos supostos abusos cometidos por israelenses em Jerusalém, cidade que é o coração do conflito.

O movimento xiita libanês Hezbollah, considerado um grupo terrorista pelos Estados Unidos e arqui-inimigo de Israel, também saudou a "vitória histórica" ​​das facções palestinas em Gaza após o cessar-fogo. Aliada de Teerã, outro grande inimigo do Estado judeu, a organização fundamentalista tem tradicionalmente apoiado o Hamas no comando da Faixa de Gaza.

"O Hezbollah parabeniza o heróico povo palestino e sua brava resistência pela vitória histórica alcançada contra o inimigo sionista", disse, em comunicado, o movimento armado libanês./AP, AFP, REUTERS, NYT e EFE

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Cessar-fogo de Israel e Hamas: o que aconteceu nos 11 dias de conflito em Gaza

Desde a segunda-feira, 10, ao menos 232 pessoas morreram do lado palestino. Os ataques com foguetes lançados pelos militantes palestinos mataram ao menos 12 israelenses

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2021 | 18h18

JERUSALÉM - Israel e o Hamas chegaram a um cessar-fogo nesta quinta-feira, 20, depois de 11 dias de confronto na Faixa de Gaza. A trégua ocorre depois de  forte pressão internacional, liderada pelos Estados Unidos

Desde a segunda-feira, 10, ao menos 232 pessoas morreram do lado palestino. Os ataques com foguetes lançados pelos militantes palestinos mataram ao menos 12 israelenses.

Da origem da tensão ao ápice da violência

As raízes do atual confronto em Gaza estão numa série de incidentes ocorridos no entorno da mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, entre abril e maio. A combinação de operações policiais, ordem de despejo em um bairro palestino de Jerusalém Oriental e uma marcha da extrema direita israelense rumo ao Monte do Templo levou à violência na Cidade Santa em 10 de maio.

No mesmo dia, o Hamas decidiu disparar foguetes contra Israel. Ao contrário dos confrontos anteriores, no entanto,  as armas do grupo palestino desta vez pareciam causar mais danos aos israelenses. Alguns foguetes conseguiam driblar o Domo de Ferro, o poderoso sistema de defesa do país, e chegar até Tel-Aviv, antes um alvo impensável. O jornalista Roberto Godoy detalhou o avanço militar do Hamas. 

Israel, então, revidou, com pesados ataques à Faixa de Gaza. entre os alvos, a estrutura militar do Hamas e os líderes do grupo palestino. A violência aumentou gradativamente e, no fim de semana, teve seu dia mais sangrento, com 44 mortes. Um prédio que abrigava escritórios da Associated Press e da rede de TV Al-Jazeera foi derrubado após um bombardeio. 

Diferentemente de outras crises entre israelenses e palestinos, a atual foi marcada pela tensão em comunidades do país  onde árabes e israelenses conviviam em relativa tranquilidade. Saques, linchamentos e ataques com armas brancas tornaram-se comuns, principalmente em Lod, antes considerada um exemplo de civilidade entre os dois povos. 

Os dois lados do conflito

Ao longo da semana, a tensão crescia, assim como o número de vítimas. Do lado palestino, o guia turístico  Hassan Muamer disse ao Estadão que o atual conflito traz elementos novos à tensão histórica com Israel.

Do outro lado, onde a principal preocupação era a defesa da população contra os foguetes de israel, os militares estavam de prontidão. Era o caso do brasileiro Henry Tkacz, que recebeu uma ligação do das Forças de Defesa de Israel (IDF), informando que sua presença poderia ser requisitada.

A crise repercutiu também no Brasil. A pedido dos Estadão, diplomatas de Israel e da Autoridade Palestina escreveram artigos explicando a visão de cada um sobre o atual confronto. 

O impacto político

Com o cessar-fogo, que ainda nao está definido a duração, os dois lados fazem calculos políticos, como explicou o colunista Lourival Sant'Anna, e este artigo da Revista Economist. O Hamas conseguiu recuperar parte da credibilidade que havia perdido após anos comandando o enclave. Em Israel, Netanyahu conseguiu mais uma sobrevida política após ter tido sua chance de formar uma coalizão reduzida a zero. 

 

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Antigos acordos de cessar-fogo sempre tiveram algum ponto frágil; leia análise

Há uma reconstrução depois de cada ciclo de violência, em geral com ajuda de ONU, União Europeia e Catar, mas sem uma paz permanente, essa reconstrução é sempre arriscada

Shashank Bengali*, The New York Tmies, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2021 | 18h48

Sob crescente pressão internacional, Israel e Hamas acertaram um cessar-fogo que suspende o confronto mais letal desde a guerra entre eles, em 2014. Mas a história das hostilidades entre israelenses e palestinos está repleta de acordos que fracassaram e não solucionaram as disputas.

Os acordos passados, normalmente, estabeleciam etapas, começando com um acerto de que cada lado deixaria de atacar o outro, dinâmica que os israelenses chamam “quiet for quiet” (tranquilidade por tranquilidade). Significa que o Hamas deixaria de lançar foguetes contra Israel, que não mais bombardearia Gaza.

As pausas nos combates normalmente eram seguidas por outras medidas: Israel amenizava seu bloqueio a Gaza para permitir a entrada de ajuda humanitária, combustível e outros produtos. O Hamas controlava seus manifestantes e grupos militantes aliados que atacam Israel. E ambos os lados trocavam prisioneiros ou mortos em ação. Desta vez, até agora, Israel não usou forças terrestres em Gaza.

No entanto, os problemas maiores – como uma reabilitação mais completa de Gaza e uma melhora das relações entre Israel, Hamas e Fatah, partido palestino que controla a Cisjordânia, continuaram sem definição. Há uma reconstrução depois de cada ciclo de violência, em geral com ajuda de ONU, União Europeia e Catar, mas sem uma paz permanente, essa reconstrução é sempre arriscada.

Apesar do número devastador de mortes de civis palestinos e da destruição de casas, escolas e instalações médicas em Gaza, o atual conflito foi mais limitado do que outras guerras entre Israel e Hamas, em 2008 e 2014, quando soldados israelenses entraram no enclave palestino. Nos conflitos passados, um combate feroz irrompeu dias antes e depois de acordos de cessar-fogo, com ambos os lados desejando desferir seu ataque decisivo.

Em julho de 2014, seis dias depois de o Exército israelense começar a bombardear Gaza, o Egito propôs um cessar-fogo que Israel aceitou. Mas o Hamas alegou que o acordo não atendia às suas demandas e o ciclo de lançamentos de foguetes contra Israel e os ataques aéreos israelenses contra Gaza foram retomados após menos de 24 horas.

O Egito anunciou outro cessar-fogo, dois dias depois, mas Israel enviou tanques e forças terrestres a Gaza e começou a atacar a região a partir do mar, declarando que o objetivo era destruir os túneis usados pelo Hamas para realizar ataques. Nas semanas seguintes, forças israelenses periodicamente interromperam seus ataques para permitir a entrada de ajuda humanitária, mas os combates continuaram. Ao todo, nove tréguas foram firmadas e violadas antes de o conflito de 2014 chegar ao fim, depois de 51 dias, com mais de 2 mil palestinos e mais de 70 israelenses mortos. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

* É JORNALISTA.

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Biden diz que cessar-fogo é oportunidade genuína e promete ajuda a Israel e Gaza

"Creio que temos uma oportunidade genuína para avançar rumo ao fim desse conflito", disse o presidente americano, que prometeu continuar com uma diplomacia silenciosa e incansável pela paz na região

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2021 | 19h46

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, comemorou o cessar-fogo negociado com auxílio do Egito entre Israel e o Hamas e prometeu tanto ampliar a ajuda humanitária à Faixa de Gaza quanto manter a assistência militar a Israel. A trégua no enclave palestino foi alcançada após uma crescente pressão internacional, não só dos americanos, mas também de países europeus, depois de 232 mortes do lado palestino e 12 do lado israelense. 

"Creio que temos uma oportunidade genuína para avançar rumo ao fim desse conflito", disse Biden, que prometeu continuar com uma diplomacia silenciosa e incansável pela paz na região. 

Em breve pronunciamento na Casa Branca, Biden prometeu colaborar com as Nações Unidas para ampliar a entrega de ajuda humanitária aos palestinos em Gaza. O enclave já vinha sendo duramente afetado pela pandemia de covid-19 quando a ofensiva começou e sobrecarregou a já precária estrutura sanitária no local. 

Em um aceno a Israel, o democrata prometeu reabastecer o estoque de baterias antiaéreas do Domo de Ferro, o sistema antimíssil israelense desenvolvido em parceria com os americanos. Na atual ofensiva, o Hamas conseguiu desenvolver mísseis mais perigosos, o que preocupa os israelenses. 

Biden ainda agradeceu o governo egípcio pelo auxílio nas negociações por uma trégua. / AP, REUTERS e EFE

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Hamas e Israel, a cronologia de um confronto histórico

Relembre alguns dos eventos mais importantes em muitos anos de conflito entre o grupo palestino e Israel

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2021 | 19h49

JERUSALÉM - Israel e o grupo islâmico Hamas concordaran com um cessar-fogo após travar seu conflito mais intenso desde a guerra de 2014. Relembre alguns dos eventos mais importantes em muitos anos de conflito:

1987

O grupo Hamas é criado no início da Primeira Intifada Palestina, ou levante, contra a ocupação de Israel da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. Dois anos depois, o Hamas realiza seus primeiros ataques contra alvos militares israelenses, incluindo o sequestro e assassinato de dois soldados israelenses.

1993

Após anos de violência, o primeiro Acordo de Oslo, que tinha o objetivo de estabelecer a paz entre Israel e os palestinos, é assinado. O Hamas se opõe ao processo de paz e busca revertê-lo com bombardeios em ônibus e ataques com armas de fogo em Israel.

2000

Israel e os palestinos não conseguem chegar a um acordo final no processo de paz em uma cúpula nos Estados Unidos em julho de 2000. Dois meses depois, protestos palestinos contra uma visita do líder da oposição israelense Ariel Sharon à Esplanada das Mesquitas em Jerusalém Oriental - conhecido pelos judeus como Monte do Templo, porque era o local de antigos templos judeus, e pelos muçulmanos como o Nobre Santuário - converte-se em uma uma Segunda Intifada.

02/02/2001

Hamas realiza uma série de atentados suicidas em Israel. Em um deles, causa a morte de 21 israelenses do lado de fora de uma discoteca em Tel-Aviv, em junho de 2001, e de 30 judeus em uma cerimônia de Páscoa em Netanya em março de 2002. Quatro meses depois, o comandante militar do Hamas, Salah Shehadeh, é morto em um ataque aéreo israelense e Israel inicia um cerco ao complexo do líder palestino Yasser Arafat na cidade de Ramallah, na Cisjordânia.

Março-abril de 2004

Ataques aéreos israelenses matam o cofundador e líder espiritual do Hamas, Sheikh Ahmed Yassin, e o cofundador e líder político do grupo, Abdel Aziz al-Rantissi, em Gaza em um intervalo de um mês. A liderança do Hamas se esconde e a identidade do sucessor de Rantissi é mantida em segredo.

15 de agosto de 2005

Forças israelenses iniciam uma retirada unilateral de Gaza, capturada do Egito na guerra do Oriente Médio de 1967, abandonando assentamentos e deixando o enclave densamente povoado sob o controle da Autoridade Palestina.

25 de janeiro de 2006

O Hamas ganha a maioria das cadeiras nas eleições legislativas palestinas. Israel e Estados Unidos ajudam os palestinos porque o Hamas se recusa a renunciar violência e a reconhecer Israel.

25 de junho de 2006

Militantes do Hamas capturam o recruta israelense Gilad Shalit em um ataque na fronteira, levando Israel a promover incursões aéreas. Shalit finalmente é libertado cinco anos mais tarde, em uma troca de prisioneiros.

14 de junho de 2007

O Hamas assume Gaza em uma breve guerra civil, expulsando as forças do partido político palestino Fatah, leal ao presidente palestino Mahmoud Abbas, que vive na Cisjordânia.

27 de dezembro de 2008

Israel lança uma ofensiva militar de 22 dias em Gaza após os palestinos dispararem foguetes contra a cidade de Sderot, no sul de Israel. Cerca de 1,4 mil palestinos e 13 israelenses são mortos antes de um cessar-fogo.

14 de novembro de 2012

Israel mata o chefe do Estado-Maior militar do Hamas, Ahmad Jabari, desencadeando oito dias de lançamento de foguetes pelos militantes palestinos. Israel responde com ataques aéreos.

Julho-agosto de 2014

O sequestro e assassinato de três adolescentes israelenses pelo Hamas levam a uma guerra de sete semanas em que mais de 2,1 mil palestinos e 73 israelenses - desses, 67 eram militares - são mortos.

Março de 2018

Protestos palestinos começam na fronteira de Gaza com Israel contra seu bloqueio imposto ao enclave. Tropas israelenses abrem fogo para mantê-los afastados. Mais de 170 palestinos são mortos em vários meses de protestos, o que também levou a combates entre o Hamas e as forças israelenses.

7 de maio de 2021

Após semanas de tensão durante o mês muçulmano sagrado do Ramadã, a polícia israelense entra em confronto com manifestantes palestinos perto da mesquita de Al-Aqsa por causa de um caso legal no qual oito famílias palestinas podem perder suas casas em Jerusalém Oriental para colonos judeus.

10 de maio

Após um fim de semana de violência esporádica, centenas de palestinos são feridos em confrontos com as forças de segurança israelenses no complexo de Al-Aqsa, o terceiro local mais sagrado do Islã. Depois de exigir que Israel retire suas forças de segurança do local, o Hamas dispara uma enxurrada de foguetes de Gaza contra Israel. Israel revida com ataques aéreos contra o enclave.

11 de maio

O número de mortos aumenta conforme os bombardeios aéreos prosseguem. Um edifício residencial de 13 andares em Gaza desaba após ser atingido durante um ataque aéreo israelense. Militantes palestinos lançam foguetes contra Israel.

12 de maio

Os Estados Unidos anunciam a ida de um enviado para a região. Militares de Israel matam um comandante sênior do Hamas em Gaza durante mais hostilidades.

13 de maio

Ataques aéreos israelenses e foguetes militantes continuam, e a violência piora em comunidades mistas de judeus e árabes em Israel. Sinagogas são atacadas e confrontos eclodem em algumas cidades.

14 de maio

Israel usa aviões de guerra, tanques e artilharia contra uma rede de túneis de militantes palestinos sob Gaza em uma operação que é seguida por mais disparos de foguetes palestinos.

15 de maio

Um ataque aéreo israelense destrói uma torre de 12 andares que abrigava organizações de mídia internacional, enquanto militantes palestinos disparam salvas de foguetes contra Tel-Aviv.

16 de maio

Várias casas são destruídas por um ataque israelense no enclave densamente povoado que funcionários de Saúde disseram ter matado 42 pessoas, incluindo 10 crianças. Os ataques com foguetes contra cidades israelenses persistem.

17 de maio

Ataques de mísseis israelenses matam o principal comandante da Jihad Islâmica, Hussam Abu Harbeed, e atingiu um prédio de sete andares que os militares disseram ter sido usado por membros do Hamas. Foguetes disparados pelos militantes atingem uma sinagoga na cidade israelense de Ashkelon e um bloco de apartamentos em Ashdod.

18 de maio

A agência humanitária das Nações Unidas diz que quase 450 edifícios na Faixa de Gaza foram destruídos ou ficaram danificados, incluindo seis hospitais e nove centros de cuidados primários de saúde. Cerca de 52 mil fogem de suas casas, com a maioria buscando abrigo em escolas administradas pela ONU.

19 de maio

Israel diz que cerca de 4 mil foguetes foram lançados de Gaza contra o país, a maioria interceptada pele sistema de defesa Domo de Ferro e cerca de 600 caindo dentro do enclave. O presidente dos EUA, Joe Biden, pede a ambos os lados para diminuir a violência.

20 de maio

Ambos os lados retomam seus ataques, mas as conversas sobre um cessar-fogo se intensificam. Autoridades israelenses dizem que 12 pessoas foram mortas no país e alegam ter executado 160 militantes. Autoridades de Saúde em Gaza dizem que 232 palestinos foram mortos, incluindo 65 crianças, e 1,9 mil ficou ferido.

20 de maio

O grupo Hamas e o gabinete israelense emitem declarações dizendo que uma trégua foi acordada./Reuters

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Conflito com Israel deixa preocupação com a covid em segundo plano em Gaza

Região enfrenta escassez de água e de itens de higiene; bombardeios destruíram clínica de saúde e único laboratório que fazia testes de coronavírus

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2021 | 20h00

GAZA - Yihad Ghabayin saiu de casa levando apenas a roupa do corpo, sem se lembrar de usar uma máscara para se proteger do coronavírus. Diante das bombas de Israel, a pandemia não parece mais uma ameaça urgente para os palestinos da Faixa de Gaza.

Mãe de seis filhos, Yihad deixou sua casa no norte da Faixa e se refugiou em uma escola da UNRWA, agência da ONU que ajuda os refugiados palestinos, por medo de morrer nos ataques israelenses. Há mais de uma semana, bombardeios aéreos castigam o enclave palestino, onde vivem quase dois milhões de pessoas.

"Desde que chegamos na sexta-feira, não conseguimos nem tomar banho", contou à Agência France-Presse. "Não há abastecimento de água e falta higiene", relatou.

Para o porta-voz da UNRWA Adnan Abu Hasna, as 50 escolas da ONU transformadas em abrigo para mais de 40 mil deslocados internos em Gaza podem se tornar focos perigosos de coronavírus na Faixa de Gaza. A agência disponibiliza itens de higiene e água, mas a quantidade de material distribuído é insuficiente diante da gravidade da situação, admite o porta-voz. E poucas medidas podem ser tomadas neste cenário.

Nas escolas, assim como nas ruas de Gaza, todos vivem sem máscara. Gestos de distanciamento e de higiene parecem coisa do passado, tendo desaparecido desde o início dos bombardeios israelenses e os disparos de foguetes dos movimentos armados.

"Os ataques contínuos de Israel minam todos os nossos esforços para combater o coronavírus", lamenta o porta-voz do ministério da Saúde, Ashraf al-Qudra.

Na segunda-feira, 17, os bombardeios israelenses causaram danos significativos a uma clínica e a instalações do Ministério na cidade de Gaza. Também destruíram o único laboratório que realizava testes de covid-19 na região. Além disso, dois médicos morreram nos bombardeios.

A proteção das infraestruturas médicas e do pessoal de saúde é um "imperativo em todas as circunstâncias", insistiu na segunda o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus. "É essencial que os padrões humanitários internacionais sejam totalmente respeitados", frisou.

"Insuportável"

"Se uma equipe médica fizesse testes aqui na escola, haveria 80% de casos positivos", opina Salem Al-Attar, de 38 anos, que se refugiou no local depois que sua casa foi destruída por um míssil israelense.

Antes da ofensiva, as autoridades de Gaza realizavam uma média de 1.600 exames por dia. Os resultados positivos giravam em torno de 28%, uma das taxas mais altas do mundo.

Desde o início da atual escalada, em 10 de maio, e segundo a OMS, foram contabilizados 9 mil casos de coronavírus. 

No total, a Faixa registrou 986 mortes e mais de 105 mil infecções desde o início da pandemia da covid-19. Segundo a OMS, do total de 122 mil doses de vacinas contra a covid enviadas para o enclave, apenas metade já foi administrada.

Nos hospitais, já saturados pelo número de pacientes, tudo teve de ser reorganizado. Algumas unidades dedicadas exclusivamente a pacientes com coronavírus foram fechadas, ou transferidas para outro local, para se dedicarem aos feridos nos bombardeios israelenses.

"Claro que tenho medo de ter coronavírus, mas será mais brando do que os bombardeios israelenses", considera Yihad Ghabayin.

Com os pés descalços cobertos de poeira, seu filho Fuad a interrompe: "Os mísseis nos matam, e o coronavírus só faz a gente tossir e dá febre", diz o menino de 8 anos. 

Do outro lado do pátio da escola, Um Mansur al-Qurum, de 65 anos, está soluçando. Um de seus vizinhos, que morava em seu bairro no leste da cidade de Gaza, acaba de lhe dizer por telefone que grande parte de sua casa foi totalmente destruída.

"A situação está insuportável. A guerra e o coronavírus ao mesmo tempo. Não consigo mais", a mulher se desespera. /AFP

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