Ariel Schalit/AP/Arquivo
Ariel Schalit/AP/Arquivo

Gabinete israelense aprova 'planos' para barrar flotilha para Gaza, diz imprensa

Ministro da Defesa disse que atrito será evitado e que 'responsabilidade por danos será dos participantes'

estadão.com.br,

27 de junho de 2011 | 21h07

Atualizado às 23h28

 

JERUSALÉM - O gabinete israelense aprovou na noite desta segunda-feira, 27, "planos" para impedir que a frota de barcos chamada "Flotilha da Liberdade II", que parte da Grécia, chegue à Faixa de Gaza, segundo o jornal local Jerusalem Post.

 

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De acordo com o diário e com o Haaretz, outra importante publicação local, o governo israelense teria informações de que ativistas ligados ao grupo islâmico Hamas estariam nas embarcações. Israel e Estados Unidos consideram o grupo como terrorista.

 

Entre os passageiros mencionados por "fontes do governo" ao jornal, estão Amin Abu Rashad e Mohammad Hannoun. Rashad, segundo o governo, seria um dos organizadores. Holandês, a entidade de caridade que comanda foi fechada pelas autoridades do país por "envolvimento no financiamento de terrorismo", diz o Post.

 

Hannoun estaria à frente de uma organização ítalo-palestina ligada ao Hamas. Um outro participante, cujo nome não foi revelado pelo jornal, seria um ativista de uma entidade francesa "com laços próximos ao Hamas".

 

Apesar de os organizadores da flotilha terem dito, nesta segunda, em Atenas, que os passageiros estariam desarmados, fontes do governo disseram ao Jerusalem Post que Israel tem informações de que alguns dos passageiros teriam "substâncias químicas, como enxofre", e que eles estariam planejando atacar soldados.

 

'Mínimo de atrito'

 

De acordo com o jornal, o Exército está orientado a não permitir que as embarcações atraquem na Faixa de Gaza, mas os soldados têm ordens de evitar conflitos e "manter os atritos ao mínimo".

 

No ano passado uma frota de barcos, liderada pelo turco Mavi Marmara, tentou quebrar o bloqueio imposto por Jerusalém. Como saldo da desastrosa operação israelense, nove passageiros foram mortos.

 

Responsabilidade

 

Em um encontro com integrantes do partido Independência, do qual é líder, o ministro da Defesa, Ehud Barak, disse ao Jerusalem Post que a flotilha é uma "provocação" e que a ordem dada aos soldados é de evitar que os barcos cheguem até Gaza.

 

Barak disse ainda que os soldados "vão avisar e explicar". Segundo o ministro, o Exército vai procurar evitar tensões "mas no final das contas a flotilha não poderá passar em direção a Gaza". Barak fez um apelo para que a navegação dos barcos fosse cancelada e disse que "se houver qualquer atrito ou dano, a responsabilidade será dos participantes e organizadores".

 

Jornalistas

 

O governo de Israel voltou atrás em uma ameaça de emitir ordens de deportação contra jornalistas que se unirem à flotilha. O premiê Benjamin Netanyahu disse nesta segunda que ordenou a autoridades a busca de uma fórmula para o caso dos repórteres, se eles estiverem na flotilha.

 

No domingo, Israel afirmou que qualquer jornalista apanhado a bordo das embarcações poderia ser deportado e impedido de entrar no país por dez anos. Jornalistas dizem que devem ter o direito de cobrir uma notícia importante. O governo israelense acusa a mídia de ser cúmplice da tentativa de entrada ilegal da flotilha em Gaza.

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