Gabinete israelense aprova proposta de cessar-fogo no Líbano

Após um debate caloroso, o gabinete de governo israelense aceitou endossar neste domingo a proposta de cessar-fogo votada pela ONU na sexta-feira, concordando em cancelar seus ataques em menos de 24 horas. A decisão vem em meio a uma última investida pelos militares para devastar as estruturas remanescentes da guerrilha xiita libanesa Hezbollah.Aceita por 24 dos 25 membros do gabinete - o resultado foi 24 a zero, um dos ministros optou pela abstenção -, a proposta foi discutida um dia depois de o governo libanês e o Hezbollah anunciarem que aceitam o cessar-fogo. A trégua deve ser posta em prática na manhã de segunda-feira, embora a situação esteja propícia para novos embates.O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, comemorou a decisão: "O Hezbollah não continuará a existir como um estado dentro de outro Estado."Segundo relato de Olmert citado pela rádio do Exército israelense, "o governo libanês será nosso endereço para qualquer violação no cumprimento do acordo".Violência prossegueA sessão do gabinete aconteceu no mesmo momento em que 30 mil soldados israelenses travavam intensos combates com guerrilheiros do Hezbollah no Líbano, um dia depois de 24 militares morreram no dia mais sangrento para as tropas israelenses desde o início do guerra, há um mês. O cessar-fogo deve entrar em vigor a partir das 8 horas da segunda-feira (horário de Brasília). Após a trégua, um contingente de cerca de 30 mil homens, formado por membros do Exército libanês e de tropas de paz da ONU, será enviado ao sul do Líbano para criar um zona de segurança sem a presença do Hezbollah. Essa área estará compreendida em uma faixa de 30 quilômetros de largura entre o Rio Litani, no centro sul do país, e a fronteira israelense."Quando as forças multinacionais entrarem, Israel irá se retirar - e não antes", disse o ministro Yaacov Edri após a decisão do gabinete. O governo libanês e o líder do Hezbollah, xeque Hassan Nasrallah, anunciaram no sábado que concordariam com o acordo. Nasrallah, no entanto, alertou que o grupo só irá parar com os ataques após a retirada de Israel do Líbano, e ameaçou: "a guerra não acabou". Neste domingo, a organização lançou mais de 150 foguetes contra Israel, matando um homem.Texto atualizado às 13h14

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