Gabinete sul-coreano apresenta renúncia em meio a protestos

Manifestantes pedem saída de presidente, após governo levantar restrições à importação de carne dos EUA

Reuters e Associated Press, Seul, O Estadao de S.Paulo

11 de junho de 2008 | 00h00

O gabinete de ministros da Coréia do Sul apresentou ontem sua demissão, depois que um impopular acordo para retomar as importações de carne dos EUA provocou amplos protestos contra o governo do presidente Lee Myung-bak, que está no poder há apenas três meses.A mídia sul-coreana especulou ontem que Lee pode aceitar a demissão de pelo menos três ministros - talvez os de Agricultura, Educação e Saúde - e vários assessores nos próximos dias. O governo também poderá substituir os ministros de Relações Exteriores e de Finanças para mostrar que iniciou uma nova fase.Em abril, o governo derrubou quase todas as restrições impostas à importação de carne americana em 2003 por causa da doença da vaca louca. A decisão provocou uma onda de protestos. Os manifestantes acusam o governo de não se preocupar com a saúde da população, apesar das garantias de que a carne é segura para consumo.Pelo menos 100 mil pessoas se manifestaram ontem contra o governo em Seul, segundo a polícia. Já a imprensa estimou o total em pelo menos 400 mil pessoas e os organizadores do protesto falaram em 700 mil. A polícia bloqueou ruas para impedir que a multidão se aproximasse do palácio presidencial. Os manifestantes pedem a saída do presidente Lee, de 66 anos, eleito em dezembro com a promessa de reconstruir a quarta maior economia da Ásia. Apesar de Lee ter recebido 48,7% dos votos, atualmente sua popularidade é de aproximadamente 20%.Lee - um conservador pró-EUA - considerava que o acordo sobre a carne ajudaria a obter um pacto bilateral de livre comércio. Washington disse que só ratificaria o pacto se Seul abrisse totalmente seu mercado. A Coréia do Sul era o terceiro principal comprador de carne americana até o surgimento do primeiro caso da doença da vaca louca nos EUA, em 2003.O governo americano disse ontem que não pode ser culpado pelo fato de o acordo sobre a carne ter provocado os violentos protestos na Coréia do Sul. O secretário de Comércio dos EUA, Carlos Gutierrez, afirmou que Washington não renegociará o pacto.

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