"Gafe" de Blair cria tensão nas relações entre Brasil e Reino Unido

As relações entre o Brasil e o Reino Unido viveram momentos de tensão nos últimos dias. O estopim do ensaio de crise diplomática foi um discurso feito pelo primeiro-ministro britânico, Tony Blair, na sexta-feira passada, em visita a Washington, sobre a necessidade de reforma da ONU. O líder britânico não incluiu o Brasil entre os países que deveriam passar a ter com um assento permanente no Conselho de Segurança.Durante seu discurso, Blair ressaltou a necessidade de se expandir o número de membros permanentes do Conselho de Segurança para que sejam incluídos representantes dos países em desenvolvimento e o Japão, mas não mencionou o Brasil."Um Conselho de Segurança com a França como membro permanente, mas sem a Alemanha; com a Grã-Bretanha, mas sem o Japão; com a China, mas sem a Índia - isto para não falar da ausência de uma representação própria da América Latina ou da África - não pode ser legítimo no mundo moderno", disse o premier na ocasião.O jornal The Guardian afirma que a "gafe" de Blair "afundou" as relações com o Brasil a um patamar baixo, além de terem colocado em perigo as negociações da rodada multilateral da Organização Mundial de Comércio (OMC).Durante a visita do presidente Lula a Londres em março deste ano, o líder britânico havia reiterado seu apoio à aspiração do Brasil de ter uma cadeira permanente no Conselho de Segurança. As declarações de Blair na última semana, no entanto, causaram forte irritação no governo brasileiro. Segundo fontes diplomáticas ouvidas pela Agência Estado, o governo britânico garantiu não ter alterado sua posição de apoio ao Brasil na ONU. De acordo com elas, o incidente já estaria praticamente superado.Relações bilateraisDepois de sofrerem alguma turbulência após a morte do brasileiro Jean Charles de Menezes em julho do ano passado, as relações entre Londres e Brasília tinham se intensificado há três meses quando Lula visitou Londres. Na ocasião, Lula e Blair ressaltaram a necessidade de um esforço concentrado para a conclusão da rodada de Doha. Blair, inclusive, manifestou simpatia com a proposta de Lula de se realizar um encontro de líderes para se tentar superar o impasse nas negociações comerciais. O Reino Unido defende uma maior abertura agrícola da União Européia em benefício dos países pobres e em desenvolvimento.

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