Brian Snyder/Reuters
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Gafe de vice de Obama dá munição a Romney

Joe Biden disse que a classe média dos EUA foi ‘enterrada’ nos últimos 4 anos

Denise Chrispim Marin, enviada especial a Denver, EUA,

03 de outubro de 2012 | 21h04

DENVER, EUA - Pressionado a vencer o primeiro debate presidencial, Mitt Romney, candidato republicano à Casa Branca, foi ajudado nesta quarta-feira, 3, pela campanha de seu rival democrata. Conhecido no meio político por suas declarações constrangedoras, o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, cometeu mais uma de suas gafes em um comício em Charlotte, Estado da Carolina do Norte.

"Como eles (os republicanos) podem justificar o aumento de impostos para a classe média, que já tem sido enterrada nos últimos quatro anos?", disse Biden, sem perceber que o período mencionado era o do governo de Barack Obama.

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Embora gafes historicamente não provoquem grandes reviravoltas, a declaração de Biden vem em péssima hora, antes de um debate eleitoral, na noite de ontem em Denver, no ainda indefinido Estado do Colorado - em um momento em que a única alternativa de Romney é conquistar votos na classe média. O republicano tenta explorar as falhas do governo para recuperar a economia e reverter sua imagem de candidato dos ricos.

Romney chega aos debates em desvantagem nas mais recentes pesquisas de opinião. Três consultas divulgadas na terça-feira indicaram a liderança de Obama por uma diferença de 3 a 7 pontos porcentuais. Dentre elas, a Ipsos-Reuters, realizada entre os dias 28 de setembro e 2 de outubro, mostrou Obama com 46% das intenções de voto contra 41% de Romney.

O trabalho do presidente é aprovado igualmente por 46%. Dentre os 1.328 americanos consultados, 24% disseram não saber se aprovam ou desaprovam o trabalho de Romney - um indicador de o quanto ele continua desconhecido pelo eleitorado.

A declaração de Biden deveria ser munição adicional para o republicano durante o debate. Nas últimas semanas, Romney e Obama mergulharam em uma acirrada disputa pela imagem de protetor da classe média, que deve ser reproduzida no embate em Denver. O republicano vem sofrendo com o vazamento de um vídeo no qual chamou 47% dos eleitores de Obama de "dependentes do governo" e "não pagadores de impostos".

Aliados de Romney contra-atacaram com um vídeo de um discurso de Obama a eleitores negros na Hampton University, em Virgínia, em 2007. As imagens mostram o então senador democrata elogiando o pastor Jeremiah Wright, conhecido por denunciar o racismo dos americanos brancos.

Obama foi próximo de Wright até o início de sua campanha presidencial de 2008. No vídeo, ele critica o socorro do governo de George W. Bush às vítimas do furacão Katrina, em New Orleans, e dá uma versão sobre como tratar os pobres daquela região.

"Eles não se preocupam com as pessoas de New Orleans", afirmou, comparando ao tratamento dado pelo governo Bush às vítimas dos atentados terroristas de 2001. "(Os pobres) precisam ser ajudados em questões básicas: em como comprar, em como se apresentar para o trabalho na hora certa, em como vestir as roupas adequadas, em como agir de maneira apropriada no emprego", afirmou.

Os aliados de Obama consideraram a divulgação do vídeo como um ato de desespero dos republicanos às vésperas do primeiro debate presidencial. A relação de Obama com o pastor Jeremiah Wright veio à tona nas primárias democratas de 2007. O então candidato republicano, John McCain, no entanto, se recusou a usar o caso na campanha presidencial do ano seguinte.

"Se a campanha de Romney acredita que os americanos aceitarão esses ataques desesperados (no debate), em vez da exposição de planos específicos para a classe média, eles serão surpreendidos", disse o porta-voz da campanha de Obama, Ben LaBolt.

Debate

Com 90 minutos de duração e sem intervalos, o debate deveria começar às 22 horas (horário de Brasília). A metade do tempo seria dedicada aos temas econômicos, divididos em três blocos. Nesses 45 minutos, Romney deveria insistir no fracasso da política de Obama em razão do elevado desemprego, de 8,2%, e subemprego no país.

Era esperado que o presidente argumentasse que a alternativa oferecida pelo republicano será uma retomada da política do governo Bush, considerada a responsável pela crise vivida no país desde 2008.

O bloco posterior, de 15 minutos, seria uma discussão sobre a política dos candidatos para o sistema de saúde, o que incluiria as reformas promovidas por Obama, em nível federal, e a adotada por Romney em Massachusetts, quando governou o Estado. Apesar de ambas serem similares, o republicano promete destruir a política de Obama por considerá-la uma intervenção do Estado em decisões pessoais e um custo a mais ao cidadão.

Nos 15 minutos seguintes, o debate seria centrado no papel do governo. Trata-se de outra questão conflitante no atual cenário político americano. O último bloco será reservado para os planos do futuro governo para outras áreas e as ponderações finais dos candidatos.

 

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