Richard Drew/AP
Richard Drew/AP

Gafe histórica marca debate republicano

Rick Perry esquece a própria plataforma e fica mais longe de vencer a disputa interna do partido

DENISE CHRISPIM MARINCORRESPONDENTE , WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2011 | 03h06

WASHINGTON - Protagonista de uma das cenas mais constrangedoras de um debate eleitoral, o governador do Texas, Rick Perry, esqueceu a própria plataforma de governo. Diante das câmeras de TV, ele anunciou que eliminaria três agências federais caso fosse eleito. Citou os Departamentos de Comércio e Educação, mas, mesmo com o auxílio desconcertante de seu concorrente Ron Paul, não se lembrou do terceiro.

"Comércio, Educação e… qual é o terceiro? Deixa eu ver… Comércio e… Não me lembro. Desculpem. Ops", disse. Apesar dos aplausos da plateia e das desculpas de seus assessores sobre seu "momento humano e autêntico", Perry percebeu que a gafe foi séria. "Eu tropecei. Foi constrangedor", afirmou depois do evento em Rochester, Michigan.

Na disputa interna do Partido Republicano, o desempenho de Perry tem sido frustrante. Ele foi o último a lançar sua candidatura, em 13 de agosto. Dada a sua afinidade com os setores mais conservadores e seus dez anos como governador de dos Estados mais ricos do país, Perry foi apresentado como a alternativa mais autêntica da direita contra o ex-governador Mitt Romney, um moderado.

Até o início de outubro, Perry vencia Romney nas pesquisas de opinião. Ele atingiu 29% da preferência do eleitorado, segundo sondagem do Washington Post e da ABC News. No entanto, ele rapidamente caiu para o terceiro lugar, ultrapassado por um novato na política, o empresário negro Herman Cain, atualmente acusado de ter cometido assédio sexual nos anos 90 - suspeita-se de que a campanha de Perry tenha passado a informação para jornalistas.

Mesmo com o escândalo envolvendo Cain nas primeiras páginas dos jornais, o governador do Texas não conseguiu retomar o segundo posto. Nos bastidores, ele é chamado de "Bush sem cérebro" e zombado por sua atuação como pastor evangélico e pelo estilo de cowboy.

O debate de ontem, sobre economia, começou com Cain tentando justificar seu escândalo sexual mais recente. Ele disse que são "falsas" as acusações contra ele. Já Romney propôs uma guerra comercial contra a China e acabou recebendo uma lição de Jon Huntsman, ex-embaixador dos EUA em Pequim. Romney também rejeitou qualquer ajuda financeira à Europa. A deputada Michele Bachmann, esquecida no palco, sugeriu a cobrança de impostos de todos os trabalhadores, mesmo dos mais pobres, e Ron Paul, outro candidato apagado, prometeu cortar US$ 1 trilhão em gastos públicos.

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