Gana rejeita invadir a Costa do Marfim

Presidente diz que não apoiará com tropas uma possível intervenção para remover Gbagbo

AP e EFE, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2011 | 00h00

O presidente de Gana, John Atta Mills, disse ontem que não enviará tropas para retirar do poder o presidente marfinense de facto, Laurent Gbagbo. O anúncio deve complicar uma solução patrocinada pela Comunidade Econômica de Estados do Oeste da África (CEEOA), que já havia ameaçado recorrer à força para garantir a posse do opositor Alassane Ouattara, tido pela comunidade internacional como vencedor da eleição de novembro na Costa do Marfim.

Gana é um dos três países da Comunidade Africana, além de Nigéria e Senegal, com poder militar suficiente para intervir na crise política iniciada no país após a eleição, que já deixou mais de 200 mortos. Derrotado nas urnas, Gbagbo, que governou o país durante uma década, se recusa a abandonar o posto. A comunidade internacional exige sua renúncia imediata.

O presidente ganense acredita que uma invasão militar não deve solucionar o impasse no país vizinho. Mills afirmou que seu governo não escolherá lados. "Temos cerca de 1 milhão de ganenses vivendo na Costa do Marfim que podem ser vítimas de qualquer intervenção militar." Segundo ele, mesmo que a CEEOA decida enviar tropas à Costa do Marfim, o Exército de Gana não participará da missão, pois já contribuiu com o que podia. Atualmente, cerca de 500 militares de Gana integram as forças da ONU que atuam na Costa do Marfim.

Ouattara disse ontem acreditar que Gbagbo fugirá caso os países da África Ocidental mandem suas tropas à Costa do Marfim. "Uma intervenção militar rápida salvará vidas, ao contrário do que muita gente pensa. Não criará um conflito civil. Quanto antes nos livrarmos de Gbagbo, melhor será para a Costa do Marfim e para a região", declarou o vencedor das últimas eleições.

Em busca de apoio, Gbagbo enviou um representante ao Zimbábue. O enviado defendeu a recontagem dos votos e uma solução pacífica negociada pela União Africana (UA).

Diplomacia. Expulsos pelo governo de facto liderado por Gbagbo, embaixadores de Grã-Bretanha e Canadá ignoraram a ordem para deixar o país, afirmando que o presidente derrotado nas urnas não tem autoridade para tal decisão e o pedido é ilegítimo.

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