B.K. Bangash / AP.jpg
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Gangue de pedófilos no Paquistão forçava crianças a praticarem atos e filmava as ações

Os criminosos usavam as gravações para serem vendidas ou para chantagear famílias mais pobres

O Estado de S. Paulo

10 de agosto de 2015 | 17h52

HUSAIN KHAN WALA, PAQUISTÃO - Os pais no centro de um escândalo de abuso infantil crescente no Paquistão acusaram a polícia nesta segunda-feira, 10, de não ter feito o suficiente para desmantelar um grupo de pedófilos na província de Punjab, berço político do primeiro-ministro paquistanês, Nawaz Sharif.

Os moradores de Husain Khan Wala, vilarejo no centro de Punjab, disseram que durante anos uma família local proeminente forçou crianças a praticarem atos sexuais gravados em vídeo. A filmagens eram vendidas ou usadas para chantagear as famílias mais pobres.

Se a família não podia pagar a quantia pedida, a vítima era forçada a encontrar outra criança para ser abusada e filmada, segundo Latif Sarra, advogado representante de algumas vítimas.

“A gangue tinha entre 15 e 21 membros. Essas pessoas têm estuprado meninos e meninas com menos de 15 anos e filmado as ações desde 2009”, disse Sarra. “Esse é um caso de extorsão. É o negócio deles”.

Rubina Bibi conta que seu filho de 13 anos foi uma das vítimas, mas que quando tentou apresentar uma queixa na delegacia de polícia de Ganda Singh Wala, um mês atrás, disse que o escrivão falou para ela deixar o recinto e foi atirada para fora.

“Meu filho está nos vídeos, é uma vítima”, afirmou. “Nossas crianças foram forçadas a isto. Foram humilhadas. Mas a polícia está tratando-as como criminosos.”

Outra mãe, Shakila Bibi, declarou: “Fui apresentar uma queixa na delegacia de polícia, mas ao invés de registrar (a queixa), puseram meu filho sob custódia”. Seu filho de 15 anos ainda está na prisão.

O chefe do distrito policial de Kasur, Rai Babar Saeed, disse que cerca de 30 vídeos foram confiscados. Ele disse que as autoridades começaram a investigar o caso em junho depois de receber uma denúncia, mas muitas famílias se recusaram a prestar queixa.

Se um inquérito revelar um trabalho policial inadequado ou cumplicidade, o escândalo pode envolver o governo provincial, encabeçado pelo irmão do premiê. Babar afirmou que a corporação agirá de maneira decisiva.

"Garanto a vocês que estamos levando isto muito a sério e que haverá uma investigação justa e muito transparente”, declarou ele. /REUTERS e AP

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