Miguel Gutiérrez/EFE
Miguel Gutiérrez/EFE

Gangues armadas atacam comboio de políticos opositores na Venezuela 

Um grupo de homens bateu nos carros com cones de trânsito e pés de cabra, quebrando a janela traseira de um deles; um dos deputados relatou tiros

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2020 | 17h23
Atualizado 15 de janeiro de 2020 | 17h37

CARACAS - Gangues armadas atacaram um comboio de veículos que levava políticos venezuelanos opositores para o Congresso nesta quarta-feira, 15, apoiando os recentes esforços do presidente Nicolás Maduro para barrar o líder da oposição Juan Guaidó de assumir a presidência da Assembleia Nacional. 

Um grupo de homens bateu nos carros com cones de trânsito e pés de cabra, quebrando a janela traseira de um dos carros, de acordo com um vídeo gravado por um membro da oposição de dentro do veículo. O comboio então fugiu, seguido por várias pessoas em motos. 

O porta-voz de Guaidó disse que quatro políticos da oposição estavam nos veículos, incluindo Carlos Berrizbeitia, segundo vice-presidente do Congresso de Guaidó. Ninguém ficou ferido.

Delsa Solorzano, uma dos quatro deputados no carro, tuitou que as gangues pró-governo, conhecidas como "coletivos" atiraram neles enquanto tentavam chegar ao palácio legislativo em Caracas.


"Eles não tentaram nos impedir, tentaram nos linchar", disse Berrizbeitia. Ele também denunciou a cumplicidade das forças policiais regulares com os civis armados e pediu ao Ministro da Defesa, Vladimir Padrino, uma explicação para os acontecimentos.

“Padrino, esse uniforme que você veste pertence a todos os venezuelanos. Como você pode estar escondendo o fato de que, no Palácio Legislativo Federal, esses terroristas estão atirando com armas de fogo?", questionou. Segundo o opositor, integrantes da Polícia Nacional Bolivariana (PNB), da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) e da contraespionagem militar (DGCIM) testemunharam os ataques de grupos civis sem intervir. 

Sessão do Parlamento foi transferida para subúrbio da capital 

Sem conseguir acessar o plenário do Palácio Legislativo, Guaidó então convocou uma sessão para um anfiteatro do Bairro de El Hatillo, ao leste de Caracas, enquanto a Assembleia Nacional Constituinte, composta apenas por funcionários do governo e não reconhecida pela comunidade internacional, deverá realizar uma outra sessão na sede do Parlamento. 

"Não vamos arriscar a vida de nossos legisladores", disse Carlos Prosperi, um dos deputados que estava no grupo que foi atacado. 

No dia 5 de janeiro, tropas impediram Guaidó de entrar no Congresso e o Partido Socialista declarou que o deputado Luis Parra, aliado do governo, era o novo presidente do Parlamento, permitindo que Maduro tomasse o controle da única instituição venezuelana fora de seu controle. 

Legisladores da oposição, em um plenário separado, reelegeram Guaidó para um segundo mandato como presidente da Assembleia Nacional. Mais tarde, ele retornou ao Palácio Legislativo para conduzir uma sessão. Guaidó classificou Parra, que desertou da oposição depois de se envolver em um escândalo de corrupção em dezembro, de "um traidor".

Diosdado Cabello, chefe da Assembleia Constituinte, um órgão legislativo separado controlado pelo governo, elogiou o ataque durante uma sessão, chamando a oposição de "louca" e "acabada".

"Sinto orgulho porque esse é um grupo que defende esses espaços pertencentes à Revolução Bolivariana", afirmou Cabello, referindo-se ao movimento socialista iniciado pelo antecessor de Maduro, Hugo Chávez. Enquanto ele falava, outros parlamentares pró-governo gritaram "A pátria deve ser defendida". / REUTERS e W. POST

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