Ganhador também quer anular eleição na Ucrânia; governo cai

O Parlamento ucraniano aprovou um voto de desconfiança ao governo, derrubando o primeiro-ministro Viktor Yanukovych, ganhador do segundo turno da eleição presidencial, semana passada. Ao mesmo tempo, numa aparente tentativa de tomar a iniciativa da oposição, que considerou o pleito fraudulento, Yanukovych pediu à Suprema Corte que considere o segundo turno inválido. O tribunal já analisa pedido semelhante feito pela oposição. Yanukovych, porém, baseia seu pedido em denúncias contra seções eleitorais nas quais a oposição venceu.A moção de desconfiança obteve 229 votos a favor - três a mais que o necessário. Seguidores do líder da oposição Viktor Yushchenko, acompanhando nas ruas uma transmissão ao vivo da sessão legislativa, irromperam em aplausos. O presidente Leonid Kuchma, em final de mandato, disse que a moção representa "a resposta do Parlamento à deterioração da situação política". Uma porta-voz disse que o presidente "agirá dentro da Constituição".A desconfiança do Parlamento leva à renúncia automática de todo o gabinete de ministros, renúncia que Kuchma é obrigado a aceitar. O presidente pode, porém, manter o governo atual no poder até que um novo gabinete seja formado, até um máximo de 60 dias. Kuchma deverá nomear um governo provisório, provavelmente chefiado pelo presidente do Parlamento, Volodymyr Lytvyn.Em meio à tempestade política, mediadores internacionais, incluindo o enviado da União Européia Javier Solana e o presidente da Polônia, Aleksander Kwasniewski, renovaram seus esforços para mitigar a crise. Conversações já estão em andamento em Kiev.

Agencia Estado,

01 de dezembro de 2004 | 13h08

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