Gali Tibbon/AFP
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Gantz inicia negociação e convida Netanyahu para formar governo de unidade 

Em uma cerimônia oficial em sua residência, o presidente Rivlin afirmou que é possível formar um governo e não há justificativa para forçar uma nova rodada de votação - o que seria a terceira em menos de um ano no país

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2019 | 20h23

JERUSALÉM - O general Benny Gantz se converteu nesta quarta-feira, 23, no primeiro candidato em mais de uma década - além do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu - a ser encarregado de formar um novo Executivo em Israel. Ele recebeu a missão do presidente Reuvén Rivlin depois que o atual premiê falhou em sua tentativa. Gantz e Netanyahu iniciarão nesta quinta-feira as negociações para tentar formar um governo de unidade e, assim, evitar novas eleições. 

Em uma cerimônia oficial em sua residência, Rivlin afirmou que é possível formar um governo e não há justificativa para forçar uma nova rodada de votação - o que seria a terceira em menos de um ano. 

Após reiterar seu desejo de formar um gabinete de unidade entre os dois principais partidos, a coalizão centrista Azul e Branco, de Gantz, e o Likud, de Netanyahu, Rivlin afirmou que enquanto não houver uma vontade de ceder e chegar a um acordo, não haverá governo. "São os cidadãos de Israel quem paga o preço mais alto", afirmou Rivlin. 

Gantz, oficialmente com a missão de tentar formar um Executivo, propôs criar um "governo de reconciliação nacional" que diminua as tensões entre os distintos grupos da sociedade israelense. "No governo de unidade liberal que planejo formar, haverá espaço para todos os que tenham o interesse nacional como prioridade", expressou, afirmando que não se sentará com aqueles que incitam o racismo ou tenham um passado violento. 

Ex-chefe do Exército, Gantz se mostrou aberto a governar junto com Netanyahu, quem até agora havia se negado a compartilhar o Executivo e enfrenta acusações em três casos de corrupção. O Procurador-geral do Estado decidirá nos próximos meses se formalizará ou não as acusações contra o premiê. 

O Azul e Branco, partido vencedor do voto popular que supera em uma cadeira o Likud no Parlamento, com 33 dos 120 assentos, confirmou antes da reunião com Rivlin que havia convidado representantes do Likud para um encontro com o  objetivo de tentar avançar nas negociações. 

No entanto, Netanyahu, a quem Gantz se referiu em seu discurso como um patriota israelense, realizou uma reunião hoje com representantes de partidos ultraortodoxos e de direita, que se comprometeram a continuar negociando como um bloco unificado - com 55 assentos - algo que até agora tem representado um obstáculo para o Azul e Branco.

Até o momento, as 54 recomendações de deputados que recebeu Gantz não são suficientes já que são necessários 61 para formar governo. Ele expressou em seu discurso que dialogará com todos os partidos para obter o apoio que precisa. 

Se não conseguir convencer nenhum dos 55 parlamentares que integram o bloco de Netanyahu, sua única alternativa seria incorporar o partido Israel Beiteinou (Israel Nosso Lar), cujo líder o ultradireitista laico Avigdor Lieberman já concordou se reunir nos próximos dias, e a Lista Unida, composta pelos partidos árabes-israelenses. 

Relembre: Netanyahu propôs governo de união em setembro, como líder de chapa

Mas a coexistência dessas forças em um governo é quase impossível, e ele somente poderia formar governo de unidade com apoio de uma delas. 

Um elemento que poderia ser crucial é a decisão do procurador-geral do Estado de formalizar a acusações contra Netanyahu por corrupção, o que poderia acelerar sua saída da vida política e facilitar a formação de um governo de unidade entre as duas formações mais votadas, Likud e Azul e Branco.  

Após as eleições de 17 de setembro, Netanyahu tentou formar uma coalizão, mas acabou desistindo na segunda-feira. Um dia depois, Rivlin disse que confiaria oficialmente a Gantz essa tarefa./EFE e AFP  

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