García aproxima-se do segundo turno das eleições peruanas

O ex-presidente Alan García superou por um ponto percentual a candidata conservadora Lourdes Flores na apuração das eleições presidenciais do Peru e está mais perto do segundo turno. Caso a vantagem se confirme, ele será o rival do nacionalista Ollanta Humala durante a próxima etapa eleitoral. Com 84,89% das cédulas contabilizadas, o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe) diz que Humala tem 30,82% dos votos válidos, García 24,71% e Flores 23,57%. Embora ainda haja muita incerteza acerca do resultado da votação, começa a surgir agora a possibilidade de que os participantes do segundo turno sejam o ex-militar e o ex-presidente peruano. A pequena diferença de votos entre Flores e García não tem precedentes na história democrática do Peru, desde que o segundo turno foi adotado em 1985 para a escolha do Chefe do Estado. Flores afirmou nesta terça-feira em Lima que brigará até o último voto, inclusive os das atas que não foram contabilizadas por erros técnicos. Neste contexto, a candidata conservadora disse aos jornalistas que "seis mil atas não foram computadas por causa de algum erro material, mas não estão impugnadas". Segundo o líder da aliança União Nacional, estas atas contêm cerca de 1,2 milhão de votos e, na sua opinião, devem ser revisadas. Até o último voto Além disso, Flores disse que acredita que conseguirá a vitória com os votos de Lima e do exterior, que ainda não foram computados. Alberto Mayta, porta-voz da Onpe, declarou que por enquanto só foram apurados 3,82% dos votos do exterior. Segundo a entidade, cerca da metade dos 457.891 eleitores convocados compareceram às urnas. Entretanto, o jornal El Comercio publicou na terça-feira que o voto emitido fora do Peru "não será determinante", pois representa apenas 1,4% do total. "Minha tese é a de que é necessário contar até o último voto, em honra à verdade", disse Flores, que também está consciente de que pode ficar de fora do segundo turno por apenas um ponto percentual de diferença. Além disso, a candidata conservadora se comprometeu a aceitar "a palavra do povo" e afirmou que "aquele que vencer por um voto deve ser reconhecido como vencedor". Mais perto da vitória Por outro lado, Alan García vive com expectativa a possibilidade de chegada à próxima etapa do processo eleitoral peruano, pois confia nos votos das localidades mais remotas e afastadas da capital, cujas atas eleitorais ainda não chegaram a Lima. A Onpe contabiliza os votos segundo sua ordem de chegada e não consegue determinar ainda quantas áreas rurais faltam. Estas regiões são as forças de García. O ex-presidente se reuniu nesta terça-feira com seus correligionários na sede do Partido Aprista, onde aguarda com impaciência o fim da apuração. Para o analista Fernando Torra, ex-chefe da Onpe e diretor do Grupo de Opinião Pública da Pontifícia Universidade Católica do Peru, a incerteza é alta e é necessário manter a serenidade. Torra disse que "a diferença de 100 mil votos ainda pode diminuir", o que torna difícil prever quem chegará ao segundo turno, apesar de quase 85% dos votos já terem sido apurados. Ainda assim, ele descartou a possibilidade de que algum candidato impugne os resultados, pois -acrescentou - uma situação deste tipo só aconteceria "no caso de distúrbios ou de perda de atas eleitorais".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.