Garcia: Brasil não vai reconhecer eleição em Honduras

"O Brasil não vai reconhecer o pleito de jeito nenhum". Categórico, o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, rebateu hoje a pressão dos Estados Unidos para que o governo Lula reconheça as eleições presidenciais em Honduras, marcadas para o dia 29 de novembro. Para ele, reconhecer as eleições seria dar um "atestado de bons antecedentes aos golpistas".

TÂNIA MONTEIRO, Agencia Estado

19 Novembro 2009 | 19h29

Marco Aurélio lembrou que as relações entre os Estados Unidos e a América Latina "já são muito ruins", ressaltando que, sobre este tema (eleição) "não há discussão" pois "Zelaya (presidente afastado Manuel Zelaya) foi deposto por um golpe" e reconhecer uma eleição preparada por um governo golpista "seria muito ruim pelo efeito demonstração que isso poderia ter".

Ontem, o senador norte-americano Richard Lugar, líder dos republicanos na comissão de Relações Exteriores e confidente do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, divulgou um comunicado exortando o Brasil a reconhecer as eleições em Honduras, independentemente da volta de Zelaya ao poder. Disse ainda que a única saída para os hondurenhos superarem a crise que já dura cinco meses seria que países como o Brasil, em particular, reconhecessem as eleições marcadas para o dia 29.

"Não vamos reconhecer as eleições", reiterou Marco Aurélio. "Reconhecer as eleições seria o mesmo que dar um atestado de bons antecedentes a um governo golpista. Não aceitamos isso", desabafou o assessor do presidente Lula. Para ele "o efeito demonstração de uma atitude como esta (de aceitar as eleições de 29 de novembro) pelo Brasil seria o pior possível".

De acordo com Marco Aurélio, não há prazo para saída de Manuel Zelaya da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa. Zelaya se instalou lá no dia 21 de setembro, quando retornou ao país e se refugiou na representação brasileira. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não reconhece o governo de facto de Roberto Micheletti, tem mantido Zelaya na embaixada brasileira na condição de convidado e avisou que não o entregaria às autoridades locais. "Não tenho ideia até quando Zelaya ficará lá (na embaixada). Vai ficar quanto tempo tiver de ficar", afirmou Marco Aurélio.

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