García ou Flores decidirá eleição com Toledo

A candidata da aliança direitista social-cristã Unidade Nacional, Lourdes Flores, e o ex-presidente peruano Alan García chegaram ao primeiro turno da eleição de hoje em situação de empate técnico, de acordo com as últimas pesquisas. Eles estavam envolvidos na mais empolgante disputa na votação deste domingo, uma vez que as sondagens mais recentes davam como certo o fato de que o líder nas pesquisas, o economista Alejandro Toledo, não conseguiria obter mais de 50% dos votos válidos, o que dispensaria a realização de um segundo turno, mas obteria uma votação suficiente para converter-se no candidato mais votado no primeiro. Vários institutos de pesquisa indicavam o favoritismo de Toledo, com até 39% das intenções de voto. Lourdes e García estavam empatados na casa dos 20% das intenções de voto. Outros cinco candidatos disputaram a eleição presidencial, mas nenhum deles tinha possibilidade de chegar ao segundo turno. Além da corrida presidencial, a eleição de hoje definiu também os ocupantes das 120 vagas do Congresso peruano. Caso se confirmem as previsões, o movimento Peru Possível, de Toledo, deve conquistar 40 cadeiras. O Partido Aprista (sucessor da tradicional Aliança Popular Revolucionária Americana), de García ficaria com 24 deputados e a Unidade Nacional, de Lourdes, com 20. Funcionários eleitorais informaram hoje, extra-oficialmente, que o segundo turno deve realizar-se em 20 ou 27 de maio. Alguns organismos de observação eleitoral que estiveram no Peru manifestaram preocupação com o sistema informatizado do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe, pelas iniciais em espanhol), que apresentou problemas de mau funcionamento em alguns testes. A Agência Estado apurou que o software escolhido pela instituição não identificava, em alguns casos, o número da mesa de escrutínio da qual transmitia os dados. Mesmo assim, o chefe da missão de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA), o guatemalteco Eduardo Stein, assegurou que as eventuais falhas técnicas não comprometeriam a lisura das eleições. Stein reuniu-se hoje com o presidente interino do Peru, Valentín Paniagua, que assumiu o poder após a destituição de Alberto Fujimori, em novembro.Escândalo - Durante o encontro, Paniagua agradeceu a atuação de Stein no Peru, afirmando que "a democracia latino-americana" devia muito a ele - referindo-se ao conturbado processo eleitoral do ano passado, que conferiu a Fujimori o direito de exercer um terceiro mandato consecutivo, mas foi qualificado de "irregular" por Stein. Um escândalo - aberto com a exibição de um vídeo no qual o hoje foragido ex-assessor presidencial Vladimiro Montesinos aparecia subornando um deputado da oposição - acabou causando a destituição de Fujimori, que se exilou no Japão. Vídeos gravados secretamente por Montesinos - nos quais ele aparecia com políticos, juízes, militares e outras autoridades do país - foram confiscados pela Justiça. No sábado, a exibição de uma dessas fitas esteva a ponto de abrir uma crise na cúpula das Forças Armadas. As imagens mostraram uma reunião - com a presença dos atuais comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica - na qual os participantes firmaram um documento comprometendo-se a respeitar o "espírito de corpo" e impedir punições de oficiais que tomaram parte do "autogolpe" de Fujimori, de abril de 1992, e de casos de violações de direitos humanos. Embora não se tenham pronunciado oficialmente sobre a questão, membros do governo de Paniagua deram a entender que os comandantes não serão substituídos imediatamente.Ataque - Quase 15 milhões dos 25 milhões de peruanos estavam aptos a votar na eleição de hoje. O voto no país é obrigatório. A tranqüilidade que marcou a votação na maior parte do país só foi quebrada pelo ataque de uma coluna do Sendero Luminoso a um posto militar na cidade de Tingo María, a 550 quilômetros de Lima. Um soldado ficou gravemente ferido.

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