García visita região e pede cautela

Presidente evita declarar toque de recolher em Pisco, onde detentos foragidos de cidade vizinha podem ter se refugiado

Jacqueline Fowks, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2018 | 00h00

"Não quero declarar toque de recolher nem tomar medidas extremas", afirmou ontem o presidente do Peru, Alan García, em Pisco, ao ser questionado sobre se aprovaria patrulhas militares para controlar os saques na cidade, a 250 quilômetros de Lima. Muitos ex-detentos da vizinha Chincha, a 50 quilômetros de distância, podem ter se refugiado em Pisco, um porto já conhecido pelo alto índice de crimes comuns. Mais de 600 prisioneiros da penitenciária Tambo de Mora fugiram quando os muros caíram durante o terremoto."Vimos grupos de jovens e gangues, mas não quero usar toda a força. Os alimentos e a água estão sendo entregues. Mas quem quiser se aproveitar da confusão descobrirá que o Estado também impõe a ordem", disse García. O ministro do Interior, Luis Alva Castro, informou que chegaram a Pisco 400 membros da Divisão de Operações Especiais da Polícia Nacional, uma força de elite especializada no controle da ordem pública. O presidente afirmou que, desde o início da resposta oficial à tragédia provocada pelo terremoto, foram realizados 59 vôos para transportar mantimentos, água e roupa e retirar feridos. Duzentos homens da Marinha ajudarão na remoção dos escombros e na distribuição de 500 mil litros de água que chegaram ontem num navio-tanque. As operações realizadas pelo Instituto de Defesa Nacional permitirão que 436 feridos sejam levados para Lima para receber cuidados médicos, pois os hospitais e centros de saúde de Chincha, Pisco e Ica estão superlotados. O governo emitiu ontem um decreto para a concessão de ajuda à população prejudicada pelo terremoto. O governo pagará o equivalente a US$ 300 para os gastos com funerais das vítimas e cerca de US$ 1.800 para a reconstrução de casas. Além disso, outro decreto autoriza a Superintendência de Administração Tributária a entregar ao Instituto de Defesa Civil material médico, roupas, alimentos, tendas e ferramentas para distribuição entre as pessoas afetadas pela tragédia.Apesar das ações do governo, a população reclama que a ajuda não está chegando aos bairros periféricos das cidades de Pisco, Chincha e Ica. As autoridades da região de Huancavelica - onde um novo tremor de mais de 5 graus destruiu ontem várias casas - anunciaram que oito localidades da Província de Castrovirreyna ficaram isoladas por causa do tremor de quarta-feira, incluindo 2 mil pessoas que participavam de uma festa religiosa em San Juan de Castrovirreyna. Um grupo de 28 estudantes das faculdades de Arquitetura, Administração, Medicina e Psicologia da universidade particular Ricardo Palma, de Lima, partiu ontem para Pisco, em coordenação com o Instituto de Defesa Civil, para ajudar no atendimento médico, apoio terapêutico e planejamento da reconstrução. Durante as operações de ajuda, um helicóptero da Força Aérea com sete pessoas a bordo caiu ontem na cidade de Ica. Os sete ocupantes sobreviveram.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.