Garota baleada chega à Grã-Bretanha

Paquistanesa Malala Yousafzai, estudante de 14 anos ferida na cabeça por militante taleban, se submeterá a um longo programa de reabilitação

ISLAMABAD, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2012 | 08h18

A estudante paquistanesa baleada na cabeça pelo Taleban há uma semana por fazer campanha pela educação de meninas chegou ontem à Grã-Bretanha. Malala Yousafzai, de 14 anos, deixou uma base aérea na cidade de Rawalpindi, onde estava internada num hospital militar. Foi levada para a Europa numa aeronave dos Emirados Árabes.

Os militares paquistaneses afirmaram que ela será tratada da fratura no crânio causada pelo disparo e "vai se submeter a um longo programa de reabilitação, incluindo reabilitação neurológica".

Malala foi internada no Queen Elizabeth Hospital, em Birmingham, centro especializado em cuidar de soldados feridos no Afeganistão. O governo do Paquistão deverá pagar o tratamento da adolescente.

Um especialista em terapia intensiva do Exército paquistanês acompanhou a garota no avião, que pousou nos Emirados Árabes para reabastecer e seguiu para a Grã-Bretanha.

A saída de Malala de seu país trouxe alívio para paquistaneses que fazem uma vigília nacional pela menina desde que ela foi baleada na terça-feira passada. Ela voltava da escola em Mingora, principal cidade do Vale do Swat, no noroeste do Paquistão, quando foi atacada.

Filha de um professor, a jovem ficou conhecida por sua defesa eloquente e apaixonada da educação e dos direitos das crianças, apesar das ameaças do Taleban, o que a transformou num símbolo da resistência à ideologia extremista.

Comoção. As preocupações com a sua saúde de Malala se espalharam pelo Paquistão. As manchetes têm trazido informações sobre seu tratamento, estudantes são vistos rezando e acendendo velas pela recuperação da adolescente e os políticos se juntaram para condenar o Taleban com veemência e unidade, algo incomum no país.

No domingo, dezenas de pessoas foram às ruas de Karachi, numa manifestação de solidariedade organizada pelo Movimento Muttahida Qaumi, influente partido político da cidade.

A situação de Malala também suscita preocupação internacional. O presidente americano, Barack Obama, o bispo sul-africano Desmond Tutu, Prêmio Nobel da Paz, e a cantora Madonna foram algumas das personalidades que defenderam sua causa.

Ajuda. Diversos governos ofereceram tratamento de emergência para a menina ou transporte aéreo para retirá-la do Paquistão. De acordo com uma importante autoridade americana, os EUA fizeram quatro ofertas "sérias" para cuidar dela, incluindo o auxílio o médico que tratou de Gabrielle Giffords, congressista do Arizona que também foi baleada na cabeça, em 2011.

A garota acabou sendo levada para a Grã-Bretanha, que mantém estreitos laços diplomáticos com o Paquistão. Na semana passada, especialistas britânicos seguiram de avião para Rawalpindi, para falar com os médicos que a vinham tratando.

Embora a condição de saúde da menina seja delicada, os militares paquistaneses afirmaram que nos últimos dias ela apresentou sinais de melhora. Malala foi levada para o hospital britânico enquanto "suas condições permitiam, antes que surgisse alguma complicação", disseram num comunicado as Forças Armadas paquistanesas. / NYT

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