Kamran Jebreili/AP
Kamran Jebreili/AP

Garota baleada pelo Taleban está melhorando, diz médico

Paquistanesa é conhecida por defender a ida de meninas muçulmanas para a escola

AE, Agência Estado

16 de outubro de 2012 | 12h01

BIRMINGHAM - Malala Yousafzai, a garota de 14 anos baleada pelo Taleban, está "melhorando" em um hospital na Grã-Bretanha, afirmaram médicos nesta terça-feira, 16. A paquistanesa é conhecida por defender a ida de meninas muçulmanas para a escola, o que a tornou alvo de fundamentalistas.

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O hospital Queen Elizabeth, em Birmingham, onde a adolescente está internada, teve de lidar com pessoas que falsamente afirmaram serem parentes dela. A polícia impediu a entrada e disse que "não foram feitas prisões e em nenhum momento ocorreram ameaças."

"Estamos muito satisfeitos com o progresso que ela fez até agora", afirmou o diretor do hospital, David Rosser, que acrescentou que a paquistanesa teve uma "noite confortável." Ela vai precisar de cirurgia reconstrutora e os médicos já começaram a planejar o procedimento, disse Rosser.

O ataque

A ativista estava em um ônibus com outras alunas que voltavam da escola quando foi atacada na cidade de Mingora, Paquistão, na terça-feira. No ano passado, Malala foi nomeada para o Prêmio Internacional da Paz Infantil, por seu respeitado trabalho de promoção da escolaridade entre meninas - algo que o Taleban repudia. O grupo fundamentalista prometeu matá-la.

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Malala ganhou relevância internacional há três anos, quando passou a divulgar em um blog o regime de terror imposto pelo Taleban em sua região natal no Vale de Swat, no extremo norte do Paquistão.

Essa ousadia, assim como a de sua família, que a encorajou a seguir frequentando a escola apesar da proibição dos fundamentalistas, lhe valeu duras ameaças do grupo. Apesar dos talebans terem sido expulsos de Swat em 2009, a ameaça continuou e terminou com o ataque de terça, quando a menina voltava da escola com duas amigas. "Dois homens pararam o veículo, perguntaram quem era Malala e dispararam contra ela e suas amigas", disse o policial de Swat, Wazir Badshá, que admitiu que ainda ninguém foi detido pela agressão.

Em um extenso comunicado enviado à imprensa local, o Taleban assumiu o ataque, afirmando que "Malala foi atacada por seu papel pioneiro na prédica do secularismo e da chamada ilustração moderada". O texto recorreu a passagens do Alcorão para justificar o ataque às meninas e disse que matar Malala era uma "obrigação sob a sharia (lei islâmica)".

Repercussão

No ano passado, Malala recebeu o Prêmio Nacional da Paz no país por sua defesa pela educação das meninas frente aos postulados dos fundamentalistas radicais. O atentado teve grande impacto no país. Muitas escolas da região fecharam as portas em forma protesto. O chefe do Exército do Paquistão, general Ashfaq Parvez Kayani, divulgou uma declaração condenando o ataque. "Os terroristas não entenderam que ao atacar Malala eles não atacaram apenas um indivíduo, mas um ícone de coragem e esperança", disse Kayani, que raramente faz pronunciamentos públicos, mesmo sobre assuntos militares.

Autoridades e ONGs de direitos humanos também condenaram o ataque e alertaram para os desdobramentos que ele pode causar. A representante dos EUA nas Nações Unidas, Susan Rice, se manifestou pelo Twitter. "O futuro do Paquistão pertence a Malala e aos valentes jovens como ela. A história não se lembrará dos covardes que tentaram matá-la".

O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, disse que o ataque contra Malala não afetará a luta do país contra os militantes islâmicos e em favor da educação feminina. O governo também ofereceu uma recompensa do equivalente a cerca de R$ 200 mil reais por quem oferecer pistas sobre os agressores de Malala.

Já o diretor do Comitê Independente de Direitos Humanos do Paquistão, Zohra Yusuf, disse que "esse trágico ataque contra uma criança tão corajosa" envia uma mensagem assustadora para todos que lutam para as mulheres e meninas paquistanesas. O crime também foi criticado pela maioria dos partidos políticos paquistaneses, celebridades de TV e outros grupos de direitos humanos, como a Anistia Internacional.

As informações são da Dow Jones.

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