Garotinho quer saber por que 65 PMs expulsos estão de volta

O secretário de Segurança Pública, Anthony Garotinho, determinou revisão dos processos de reintegração dos 65 policiais militares que haviam sido expulsos da corporação sob acusação de crimes como homicídio, tortura, estelionato, roubo e lesão corporal, mas voltaram aos quadros no ano passado. A maioria foi beneficiada por decisão do próprio comandante-geral da PM, coronel Renato Hottz.Segundo informou hoje a página da secretaria na internet, Garotinho, que está de férias com a família no Rio Grande do Norte, determinou, por telefone, que Hottz faça relatórios sobre cada um dos PMs que voltaram à corporação em 2003. O secretário deu prazo de três dias para que o trabalho seja concluído. Os processos serão reexaminados pela assessoria jurídica da secretaria, que irá checar se as reinclusões foram legais.O comandante-geral não deu entrevista sobre o assunto. O assessor jurídico da PM, tenente-coronel Cláudio Rodrigues, disse que os policiais voltaram a trabalhar porque a Justiça assim decidiu. ?O comandante não pode deixar de reintegrar sob pena de estar indo contra a Justiça?, afirmou. Rodrigues garantiu que, da grande quantidade de policiais afastados que pedem para retornar (ele não informou quantos o fizeram no ano passado), somente uma minoria consegue. Entre os beneficiados, está Hélio Vilário Guedes, que já foi acusado de participação na chacina de Vigário Geral, quando 21moradores da favela foram assassinados por PMs, mas foi absolvido por falta de provas. Hoje, ele é lotado no gabiente no chefe do Estado Maior da PM, Carlos Alberto Vitoriano Guedes. O assessor jurídico justificou o novo cargo dele: ?A partir do momento em que os PMs estão dentro da corporação, eles já foraminocentados pela Justiça, então não podem ser discriminados?, disse. ?Seria melhor ele trabalhar dentro de um gabinete, em funções burocráticas, ou na rua? Quem vai dizer isso? Pelo processo ele já pagou.? Rodrigues explicou que, em alguns casos, os PMs foram reintegrados porque, durante o processo, lhes foi negado o direito de ampla defesa.

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