Garzón diz que pressão sobre Assange é política

Ex-juiz espanhol defenderá fundador do WikiLeaks, que aguarda na Embaixada do Equador em Londres uma decisão sobre pedido de asilo

QUITO, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2012 | 03h03

O jurista espanhol Baltasar Garzón declarou ontem que a situação do fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, "não é das melhores, pois há uma clara motivação política por trás de toda a questão". Assange contratou Garzón para assessorá-lo na busca por asilo político no Equador.

Para Garzón, o "uso político" do processo contra Assange ocorre "em virtude do grande trabalho feito por sua organização ao denunciar corrupções". Assange está refugiado na Embaixada do Equador em Londres desde o dia 19 de junho. O australiano, que enfureceu o governo americano em 2010 depois que o WikiLeaks publicou documentos diplomáticos secretos dos EUA, é procurado na Suécia para interrogatório, acusado de ter cometido crimes sexuais contra duas mulheres suecas.

Assange perdeu todos os recursos na Justiça britânica. Ele estava em prisão domiciliar e violou os termos de sua fiança ao entrar a pé na embaixada e solicitar asilo ao Equador. O maior temor de Assange é o de ser enviado para os EUA, onde estaria sujeito a uma sentença mais dura por ter divulgado segredos de Estado.

"O senhor Assange pediu os serviços do advogado Baltasar Garzón para tratar de seu caso e, claro, ele tem todo o direito de contratar e de buscar o apoio jurídico de que necessita para o processo de solicitação de asilo político que apresentou ao Equador", afirmou o chanceler equatoriano, Ricardo Patiño.

O governo equatoriano disse que levará o tempo que for necessário para fazer uma análise detalhada da solicitação de asilo de Assange antes de tomar uma decisão. De acordo com Patiño, Quito deve esperar o fim dos Jogos Olímpicos, em Londres, para anunciar a decisão.

Garzón, um juiz que se tornou mundialmente conhecido por sua defesa dos direitos humanos, é famoso por ter ordenado a prisão do ex-ditador chileno Augusto Pinochet, em 1998. Em sua lista de casos polêmicos, Garzón condenou militares da ditadura Argentina e emitiu um mandado de prisão contra Osama bin Laden. Em fevereiro, a Justiça espanhola o condenou a 11 anos de suspensão por ter ordenado o uso de escutas durante uma investigação.

Patiño disse que recebeu bem a participação de Garzón no caso Assange, pois o governo equatoriano mantém uma "relação muito boa" com o jurista. Garzón faz parte de um painel internacional criado para supervisionar a atual reforma do Judiciário do Equador.

Garzón, de 56 anos, será o responsável por coordenar a equipe de advogados que já trabalha no caso. Segundo um comunicado publicado ontem pelo WikiLeaks, os dois já se encontraram na embaixada para discutir a estratégia jurídica que será usada. / REUTERS e AP

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