Garzón volta à cena em meio à crise política

Um ano após ser condenado por ordenar gravações de conversas, em 2009, entre acusados do caso Gürtel e seus advogados, o jurista espanhol Baltasar Garzón volta à cena na Espanha, enquanto a crise política envolvendo o governo do Partido Popular (PP) aumenta. O caso envolve uma trama de corrupção, na qual integrantes da quadrilha Gürtel teriam subornado pessoas do PP, e lavagem de dinheiro em locais governados pelo partido.

FERNANDA SIMAS, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2013 | 02h08

Nesta semana, o ex-tesoureiro do partido Luis Bárcenas, um dos acusados, agravou a crise ao afirmar que o PP possuía um caixa 2 e o atual primeiro-ministro, Mariano Rajoy, foi beneficiado pelo dinheiro.

Garzón, de 57 anos, foi condenado em 2012 e teve suas atividades como juiz suspensas por 11 anos por ter violado o direito de defesa dos réus. Na época, ele afirmou que a condenação "elimina toda a possibilidade de investigar a corrupção e os crimes associados a ela".

Apesar de destituído, ele pôde continuar advogando e hoje luta pela instalação de uma comissão da verdade que investigue os crimes cometidos durante a ditadura de Francisco Franco.

"É nítido o sofrimento daqueles que, por anos, não puderam ter nenhum apoio institucional do Estado democrático espanhol. Isso é muito grave", disse por email ao Estado. "Não se pode construir um futuro sobre centenas de cadáveres."

Garzón ficou conhecido internacionalmente em 1998 após indiciar o ditador chileno Augusto Pinochet e tentar levá-lo ao banco dos réus em Madrid, para responder pela tortura e morte de espanhóis que viviam no Chile durante a ditadura militar, de 1973 a 1990.

WikiLeaks. Para ativistas de direitos humanos, embora Pinochet nunca tenha sido condenado, Garzón tornou-se referência ao conseguir, legalmente, pedir a prisão do ditador, que estava em Londres.

Atualmente, o jurista chefia a equipe que defende o grupo WikiLeaks e seu fundador, Julian Assange, que permanece refugiado na Embaixada do Equador em Londres para não ser extraditado para a Suécia - de onde ele poderia ser enviado aos Estados Unidos e julgado pela divulgação de documentos secretos do governo americano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.