Gasto com ilha derruba deputado britânico

Conservador instalou ?castelo? para patos no lago de sua residência

AP, AFP e Efe, LONDRES, O Estadao de S.Paulo

22 de maio de 2009 | 00h00

O escândalo dos deputados britânicos que usaram verba pública para pagar contas pessoais fez ontem mais uma vítima depois da revelação de que um conservador pagou, com o dinheiro do contribuinte, a instalação de uma ilha artificial para servir de abrigo para os patos de sua residência. De acordo com reportagem do jornal The Daily Telegraph - que desde o início do mês vem publicando detalhes sobre as despesas de políticos -, o deputado Peter Viggers gastou o equivalente a US$ 2,5 mil com a ilha artificial, que inclui a reprodução em pequena escala de um castelo. No total, ele pediu reembolso de cerca de US$ 45 mil em gastos com jardinagem.O líder do Partido Conservador, David Cameron, exigiu ontem a aposentadoria de Viggers, de 71 anos, por causa da denúncia. O partido confirmou que o deputado não concorrerá à reeleição. Os conservadores também deram início a um processo de investigação interna de seus 150 deputados.O jornal revelou ainda que Ruth Kelly, ex-secretária de Transportes do gabinete do premiê Gordon Brown, pediu "milhares de dólares" de reembolso para cobrir os danos causados em sua casa por uma enchente. No entanto, o estrago já estava coberto na apólice de seguros da ex-secretária.Até agora, mais de 170 políticos de todos os partidos foram afetados pelo escândalo, contribuindo para a queda de prestígio do Parlamento. As denúncias forçaram a renúncia do presidente da Câmara dos Comuns, Michael Martin, que se tornou o primeiro a deixar o cargo em mais de três séculos por causa de um escândalo.Entre as revelações feitas pela imprensa estão as de que políticos usaram o auxílio-moradia para reformar a própria casa e pagar prestações de imóveis. Parlamentares também teriam pago com dinheiro público artigos de uso pessoal como ração para cachorro, itens de higiene e móveis para casa.A divulgação dos gastos enfureceu os britânicos e ameaça alterar o resultado das eleições locais do dia 4. As denúncias prejudicaram todos os partidos, mas o mais afetado foi o Partido Trabalhista, no poder desde 1997. Ontem, alguns de seus doadores mais generosos afirmaram que suspenderão o envio de dinheiro para os trabalhistas em reação ao escândalo.

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