Gastos governamentais disparam com estatizações

Queda dos preços do petróleo atrasa compromissos assumidos durante os tempos de bonança

Ruth Costas, CARACAS, O Estadao de S.Paulo

21 de março de 2009 | 00h00

O pacote de Hugo Chávez foi anunciado num momento em que a economia venezuelana passa por grandes dificuldades não só por causa da crise global, mas também pelas políticas adotadas pelo governo. Nos últimos anos as estatizações em diversos setores e os programas sociais que mantêm alta a popularidade do presidente impulsionaram os gastos governamentais. Só o número de funcionários públicos dobrou de 1 milhão para 2 milhões. Agora, a queda do preço do petróleo, que representa 90% da receita estatal, dificulta o cumprimento dos compromissos adquiridos nos tempos de bonança. O preço médio do petróleo venezuelano hoje é de US$ 37. O orçamento deste ano previa uma arrecadação com base no barril a US$ 60. Por seis meses autoridades venezuelanas negaram que fossem necessários ajustes nos projetos de Chávez, alegando que havia dinheiro suficiente nos cofres públicos para enfrentar as turbulências econômicas. O anúncio de que foi elaborado um novo orçamento com base no petróleo a US$ 40 é o primeiro sinal significativo de que Chávez compreendeu que a crise veio para ficar.A receita com as exportações de petróleo devem ser de US$ 40 bilhões neste ano, metade dos US$ 80 bilhões do ano passado (quando o barril venezuelano chegou a US$ 120). Sem recursos, a estatal petrolífera PDVSA já suspendeu o pagamento de alguns prestadores de serviço e negocia empréstimos com a China e o Japão que podem chegar a US$ 4 bilhões. O governo ainda deve US$ 4,9 bilhões por empresas estatizadas nos setores de siderurgia, construção e financeiro. Se de fato nacionalizar o Banco da Venezuela, do grupo Santander, como Chávez promete, analistas estimam que ele terá de desembolsar mais US$ 1,2 bilhão. Todas essas dificuldades somam-se a um grande descontentamento entre empregados das estatais dos mais diversos setores - desde a petrolífera PDVSA até as distribuidoras de eletricidade. Nas últimas semanas, eles têm ameaçado fazer greves por aumento de salários e pelo cumprimento de contratos coletivos firmados pelo governo. No caso da PDVSA, talvez o mais sensível, os conflitos já reduzem os níveis de produção, segundo fontes ligadas à empresa.

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