Gastos militares mundiais caem em 2012 pela primeira vez desde 1998

Os gastos militares globais caíram em 2012 pela primeira vez em mais de uma década, graças a cortes profundos nos Estados Unidos e na Europa, que compensaram os aumentos em países como China e Rússia, informou na segunda-feira um importante centro de estudos.

Reuters

15 de abril de 2013 | 15h56

Os Estados Unidos e seus aliados europeus enfrentam problemas orçamentários em consequência da crise econômica, o que reduziu o envolvimento em conflitos no Iraque e no Afeganistão. A China, segunda maior economia do mundo, no entanto, está aumentando os gastos e registrou 7,8 por cento de crescimento em 2012 em relação ao ano anterior, com alta de 175 por cento desde 2003.

As despesas mundiais militares como um todo caíram 0,5 por cento, para 1,75 trilhão de dólares no ano passado --a primeira queda em termos reais desde 1998, de acordo com o Instituto Internacional de Estocolmo de Pesquisa para a Paz (Sipri, na sigla em inglês), que realiza pesquisas sobre segurança internacional, armamento e desarmamento.

"Estamos vendo o que pode ser o início de uma mudança no equilíbrio do gasto militar mundial dos países ricos ocidentais para regiões emergentes", disse Sam Perlo-Freeman, diretor do Programa de Gastos Militares e Produção de Armas do Sipri.

As despesas militares dos Estados Unidos, de longe os maiores gastadores do mundo --com um orçamento cerca de cinco vezes maior que a da China--, caíram 6 por cento e ficaram abaixo de 40 por cento do total mundial pela primeira vez desde o colapso da União Soviética, mais de 20 anos atrás, disse o Sipri.

Os Estados Unidos retiraram suas tropas do Iraque há mais de um ano e caminham para encerrar a guerra no Afeganistão sob um plano para uma retirada total de tropas até o final de 2014.

O Pentágono está tentando cortar centenas de bilhões de dólares em custos, e o novo secretário de Defesa, Chuck Hagel, alertou os militares dos EUA, este mês, para se prepararem para uma nova rodada de aperto de cintos.

Na Europa, as medidas de austeridade impostas pela crise financeira que começou em 2008 forçaram membros da Otan a cortar os gastos em 10 por cento em termos reais.

"Todas as indicações são de que a despesa militar mundial deverá continuar caindo nos próximos dois a três anos, pelo menos até a Otan completar sua retirada do Afeganistão no final de 2014", disse Perlo-Freeman.

"No entanto, os gastos em regiões emergentes provavelmente vai continuar a aumentar."

Os gastos militares globais caíram significativamente após o fim da Guerra Fria, atingindo seu nível mais baixo em meados da década de 1990, mas ganharam ritmo acentuadamente após os ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

O total global permanece acima do pico da Guerra Fria.

Entre os gastos militares da China estão novos submarinos, navios, mísseis, caças e um grupo de porta-aviões de combate.

A China tem dito repetidamente que o mundo não tem nada a temer de seus gastos militares, mas os governos do Japão à Índia estão preocupados com a capacidade militar chinesa e com o que parece ser uma maior beligerância militar da China.

Os gastos militares também estão em alta no Oriente Médio e no norte da África, com aumento de cerca de 8 por cento no ano passado, numa região marcada pelos levantes populares contra regimes autoritários, com destaque para a guerra civil na Síria.

(Reportagem de Niklas Pollard)

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