Gastos militares no mundo alcançam US$ 1,2 trilhão

Despesas crescem 3,5% em 2006 sobre 2005; EUA respondem por 46% do total

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 02h48

Os gastos em armamentos realizados por governos de todo o mundo alcançaram US$ 1,2 trilhão em 2006, uma elevação de 3,5% em relação a 2005. Os números constam de relatório anual do Instituto de Pesquisa de Paz Internacional de Estocolmo (conhecido pelas iniciais Sipri), divulgado nesta segunda-feira, 11.Os EUA mantiveram-se isolados na dianteira do ranking. Segundo o Sipri, os EUA foram responsáveis por 46% do total de gastos em 2006, ou US$ 529 bilhões.As despesas militares americanas também cresceram acima da média mundial, alcançando 4,75% de aumento."O acentuado aumento nos gastos militares dos EUA se deve em grande parte às custosas operações militares do país no Afeganistão e no Iraque", avalia o Sipri em seu relatório anual.O documento ressalta ainda que o governo americano repassou US$ 432 bilhões adicionais à sua guerra contra o terrorismo entre setembro de 2001 e junho de 2006. "Esse aumento significativo dos gastos militares americanos é um dos fatores que provocam a deterioração observada desde 2001 na economia dos Estados Unidos", afirma o relatório.A China superou o Japão na condição país asiático que mais gastou em armas. No ranking geral, figura agora em quarto lugar, com quase US$ 50 bilhões de seu Orçamento dedicados a armas. O governo japonês vem a seguir, com o equivalente a US$ 43,7 bilhões gastos em armas.Cinco países do Oriente Médio, uma das regiões mais conturbadas do planeta, aparecem entre os dez maiores importadores de armas do mundo. "Enquanto a mídia dedica grande parte de sua atenção às compras de armas feitas pelo Irã, a maior parte delas junto à Rússia, as transferências de armas feitas pelos Estados Unidos e pela União Européia (UE) a países como Israel, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos são significativamente maiores", constatou o instituto.Segurança"É válido questionar qual seria a eficácia do aumento de gastos militares como forma de aumentar a segurança às vidas humanas", comentou Elisabeth Skons, pesquisadora do Sipri. "Milhões de vidas poderiam ser salvas com investimentos nos serviços básicos de saúde que representariam apenas uma fração do que o mundo gasta anualmente com fins militares."Os gastos mundiais com armas crescem continuamente desde 2002, segundo o relatório do Sipri. China e Índia figuram como os principais importadores de armas. Por sua vez, EUA e Rússia aparecem como os maiores exportadores.De acordo com a análise do instituto, a Rússia, cujos gastos militares alcançaram US$ 34,7 milhões em 2006, "usa sua riqueza energética para resgatar o orgulho nacional e a influência" sobre seus vizinhos, "além de maximizar seu poder geopolítico".O Sipri, em grande parte financiado pelo governo sueco, figura há anos como principal monitor do comércio internacional de armas e divulga periodicamente análises sobre os gastos militares no mundo.Em seu relatório, o instituto salienta ainda que os países do Conselho de Segurança da ONU (China, EUA, França, Reino Unido e Rússia) mantinham juntos mais de 26 mil ogivas nucleares no início de 2007. "Apesar de o número de ogivas estar em queda gradual, esses cinco países estão conduzindo ou planejando programas para renovar seus arsenais nucleares", analisou o Sipri.

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