Gates anuncia envio de mais 7 mil soldados para o Afeganistão

Secretário de Defesa dos EUA prevê mais tropas no país para combater o crescimento da insurgência taleban

Reuters,

11 de dezembro de 2008 | 09h01

Durante visita surpresa ao Afeganistão, o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, prometeu nesta quinta-feira, 11, o envio de entre 7 e 8 mil soldados americanos para a missão no país, diante do aumento da violência promovida por insurgentes do Taleban.   Gates, que visitou uma base militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na cidade de Kandahar, no sul do país, disse que está trabalhando para atender o pedido do general americano David McKiernan, comandante das forças da aliança no país, por mais tropas. "Vamos tentar mandar duas brigadas adicionais no verão", afirmou Gates, que permanecerá no Departamento de Defesa do presidente eleito dos EUA, Barack Obama.   Atualmente 65 mil soldados estrangeiros estão no Afeganistão, dos quais cerca de 31 mil são americanos, na tentativa de estabilizar o país e enfrentar a crescente insurgência taleban. Uma brigada de combate extra, com 3.500 soldados, já foi enviada para a capital do país, Cabul, em janeiro. McKiernan pediu por mais três unidades de apoio. Um total de 20 mil militares além das tropas americanas deve chegar ao país entre 2009 e 2010.   McKiernan afirmou que as tropas extras são necessárias para garantir a segurança no sul do país. Ele disse ainda que 2009 será um ano crítico, com as eleições presidenciais no país previstas para setembro. "Com as eleições aqui e a nova administração nos EUA, existe a chance da comunidade internacional estar comprometida e uma janela para aumentar as contribuições" para o conflito, afirmou.   Questionado sobre a data do envio dos até 20 mil soldados ao Afeganistão, Gates disse que não terá que cortar mais o número de homens no Iraque para enviá-los ao território afegão. O secretário também disse que haverá uma importante "correção de rumo" na guerra do Afeganistão com a posse de Barack Obama, em 20 de janeiro. A mudança incluirá a melhor formação de um Exército afegão e mais cooperação com Cabul nas operações de segurança. Gates enfatizou a necessidade de uma "verdadeira parceria" dos dois países. "Isso é um importante aspecto disso, onde eu acredito que nós precisamos de uma correção de rumo."   Gates disse que o número de tropas no Iraque deve permanecer praticamente inalterado até as eleições provinciais, no início do próximo ano, e também "provavelmente por algum tempo depois disso".   Há um forte consenso entre os militares de que a ênfase agora deve recair sobre o Afeganistão, antes considerada uma meta menor que o Iraque. Porém ainda há muitas divergências sobre a melhor forma de conseguir isso. A ampliação do Exército afegão é uma das propostas em estudo. Obama já disse que enviar mais tropas ao Afeganistão é uma prioridade.   O Afeganistão enfrenta um aumento da violência, em meio à ressurgência do Taleban. Comandantes dos EUA já anunciaram que a primeira brigada seguirá para o país em janeiro e eles tentarão atender as outras demandas assim que possível. Uma brigada tem aproximadamente 3.500 militares. Os norte-americanos trabalham também para cumprir os prazos de seu acordo com Bagdá, segundo o qual as tropas devem deixar as cidades iraquianas até junho e se retirar do país todo em três anos.

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