Gates diz que ameaça coreana terá resposta

EUA não aceitarão que regime de Pyongyang tenha armas nucleares

AFP, CINGAPURA, O Estadao de S.Paulo

30 de maio de 2009 | 00h00

O secretário americano de Defesa, Robert Gates, disse hoje em Cingapura que os EUA não aceitarão uma Coreia do Norte nuclear. Gates assegurou também que os EUA responderão "rapidamente" se as ambições nucleares da Coreia do Norte representarem uma ameaça para a América ou seus aliados na Ásia. "Não ficaremos parados enquanto Pyongyang desenvolve sua capacidade para semear a destruição", disse durante reunião de ministros de Defesa. Horas antes, quando viajava para Cingapura, Gates havia reduzido a dimensão da crise com a Coreia do Norte, dizendo que descartava a possibilidade de uma eventual ofensiva contra militar ou o aumento do número de soldados americanos na região.OPÇÃO MILITARApesar da mudança de tom de Gates, analistas acreditam que o poderio bélico dos EUA pode se mostrar de pouca utilidade para o presidente Barack Obama diante da Coreia do Norte, onde uma opção militar implicaria em milhares de baixas e correria o risco de fracassar na busca pelas armas nucleares. Segundo especialistas, Washington não vê opção militar satisfatória, em parte porque Pyongyang dispõe de um enorme poder de fogo dirigido aos seus vizinhos sul-coreanos, mas também porque o país pode facilmente dissimular suas armas e elementos do seu programa nuclear. Com um Exército de mais de 1 milhão de soldados e um vasto arsenal de artilharia e mísseis apontado para a Coreia do Sul e para o Japão, o regime norte-coreano poderia provocar um massacre em represália a um ataque preventivo. As vítimas chegariam às centenas de milhares, provavelmente desde os primeiros dias de um eventual conflito, garantem os especialistas. "Se tiver início uma guerra de proporções consideráveis, as baixas seriam inimagináveis", disse Chaibong Hahm, principal cientista político da Corporação Rand, um centro de estudos estratégicos com sede na Califórnia. "Afinal de contas, ninguém duvida que as forças americanas e sul-coreanas seriam vitoriosas. Mas a questão é: a que preço?" O ex-presidente americano Bill Clinton considerou seriamente a possibilidade de um ataque preventivo contra a instalação nuclear de Yongbyon, mas a solução diplomática foi capaz de pôr fim àquela crise. AVISORobert GatesSecretário de Defesa dos EUA"Não ficaremos parados enquanto Pyongyang desenvolve sua capacidade para semear a destruição"Chaibong HahmCientista político da Corporação Rand"Se tiver início uma guerra de proporções consideráveis, as baixas seriam inimagináveis"

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