Gates lamenta mortes de civis em ações dos EUA no Afeganistão

Secretário de Defesa defende investigação de bombardeio que matou 92 pessoas, maioria mulheres e crianças

Agências internacionais,

17 de setembro de 2008 | 09h27

O secretário de Defesa americano, Robert Gates, disse nesta quarta-feira, 17, que lamenta a morte de civis em operações americanas no Afeganistão, durante sua visita ao país asiático, onde se reuniu com o presidente Hamid Karzai. Gates anunciou ainda uma investigação conjunta com autoridades afegãs para averiguar o bombardeio que matou 92 civis, no pior erro da coalizão liderada pelos EUA nos sete anos da guerra. Segundo um comunicado da Presidência afegã, Gates lamentou os incidentes no distrito de Shindand (oeste), onde, segundo a ONU e o governo afegão, mais de 90 pessoas foram mortas - a maioria mulheres e crianças - por um bombardeio americano em 22 de agosto. "Com novas medidas, as mortes de civis em operações da coalizão cairão", disse o secretário, segundo o comunicado. As forças americanas reportaram a morte de 30 a 35 militantes taleban e entre cinco e sete civis. "Em raras ocasiões em que cometemos um erro, quando há um erro, temos que pedir desculpas rapidamente, oferecer rapidamente compensações e abrir logo uma investigação", disse Gates segundo a agência AFP. O bombardeio de Shindand, situado na província de Herat, foi no começo minimizado pelo Exército americano. No entanto, surgiram mais tarde imagens de corpos de crianças cobertos em uma mesquita, e a Otan reivindicou uma nova investigação. O governo afegão expressou na ocasião seu mal-estar pelo ocorrido, e nesta quarta, Karzai reiterou a Gates que é preciso deter as mortes de civis, as operações em residências de afegãos e as detenções injustificadas de cidadãos nas operações das tropas. Durante sua estadaa no Afeganistão, Gates se reuniu com vários ministros e pediu ainda um aumento dos recursos, tanto de equipamento como de formação, para o Exército afegão. Os rebeldes islâmicos e as forças dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão já mataram 1.445 civis entre janeiro e o fim de agosto deste ano, o que significa 40% mais mortes em comparação com o mesmo período de 2007, segundo revelam dados divulgados na terça pela Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com a entidade, 1.040 civis foram mortos em ações rebeldes e aliadas nos primeiros oito meses do ano passado. Mais de 300 civis morreram somente em agosto, prosseguiu a ONU, entre eles 92 inocentes atingidos por um bombardeio americano contra o povoado de Azizabad. Ao todo, 800 civis foram mortos pela milícia fundamentalista islâmica Taleban e por outros grupos rebeldes, o que representa 55% do total, detalha a missão da ONU. Das outras 645 mortes, 395 (ou 33%) ocorreram em ações dos EUA e da Otan no país. Navi Pillay, comissário de direitos humanos da ONU, pediu mais transparência por parte dos EUA e da Otan em episódios envolvendo morte de civis.

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