Gates pede maior compromisso militar de aliados na Otan

Falta de participação dos países pode ameaçar os ataques aéreos conduzidos pela Otan na Líbia

Agência Estado e Reuters

10 de junho de 2011 | 11h49

Gates diz que corte no orçamento dos EUA diminuirá participação americana na aliança

 

BRUXELAS - O secretário de Defesa norte-americano, Robert Gates, censurou nesta sexta-feira, 10, os demais membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) por seus gastos militares, dizendo que a aliança pode enfrentar um futuro "sombrio" se não houver um compromisso mais forte. Ele também advertiu para o fato de que a falta de participação dos países pode ameaçar os ataques aéreos conduzidos pela Otan na Líbia.

 

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As declarações de Gates são feitas em seu último discurso público como secretário de Defesa. O chefe da segurança dos EUA vai se aposentar no final do mês. ele ocupava o cargo desde o governo anterior, do ex-presidente George W. Bush, e será substituído por Leon Panetta, chefe da Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês).

 

Gates disse ser vital que os membros da aliança invistam e guardem recursos para a defesa, de modo a assegurar que ela seja viável no futuro. Os Estados Unidos são responsáveis por 75% dos gastos da Otan com defesa. Segundo ele, é cada vez mais difícil que os norte-americanos consigam manter esse nível de apoio, em um momento de aperto econômico doméstico.

"O que eu previ é a possibilidade real de um futuro ofuscado, ou mesmo sombrio para a aliança transatlântica", avaliou Gates, em discurso no instituto de pesquisas Security and Defense Agenda, em Bruxelas. Mais da metade dos 28 membros da Otan não participa da ação na Líbia. Segundo Gates, muitos estão de fora porque têm condições para atuar, o que pode ser um problema para ações integradas no futuro.

 

Além de citar as dificuldades na Líbia, onde a Otan realiza bombardeios contra as tropas do ditador Muamar Kadafi, Gates falou sobre as operações da aliança em outros territórios conflituosos. Apesar de contarem com mais de 2 milhões de soldados uniformizados, os países da Otan, excetuando os EUA, têm dificuldade em manter 25 mil a 45 mil soldados no Afeganistão, "não apenas em termos de soldados em campo, mas em equipamentos de apoio cruciais como helicópteros, aviões de transporte, manutenção, inteligência e vigilância." As informações são da Dow Jones.

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