Gaviria abre negociações na Venezuela

Em uma tentativa de evitar um desenlace violento para a crise venezuelana, o secretário-geral da OEA, César Gaviria, instalou nesta sexta-feira uma mesa de diálogo entre o governo e a oposição, que negociará uma saída eleitoral para o impasse. A imediata convocação do referendo é a principal proposta apresentada pela oposição, enquanto o governo insiste em prolongar os diálogos e convocar a consulta popular para agosto de 2003. Esta primeira aproximação que ocorre entre o governo e a oposição, desde o frustrado golpe de abril, está ameaçada por uma crescente luta interna e uma greve geral, por tempo indeterminado, que está sendo analisada pelas maiores organizações empresariais e sindicais. Ao abrir o encontro, Gaviria pediu que as partes "dêem uma oportunidade à mesa" e se "abstenham" de usar expressões e cometer ações que possam prejudicar o clima de entendimento. O ex-mandatário colombiano, que exerce o papel de mediador dos debates, pediu aos seis negociadores do governo e da oposição para evitarem também as "agressões desnecessárias" e os "atos de intimidação" para que o processo possa avançar."Hoje é um bom dia para nós", declarou o chanceler Roy Chaderton, ao expressar o apoio do governo à iniciativa de Gaviria. O chanceler indicou que o grupo de seis negociadores governistas, tendo à frente o vice-presidente José Vicente Rangel, irá aos diálogos com a "agenda aberta". Por sua vez, o presidente da maior central sindical do país, Carlos Ortega, disse hoje que se o governo se recusar a ir ao referendo dentro em breve, isto poderá fazer com que as negociações "morram ao nascer... e precipitar a decisão de irmos à greve cívica". Um dos porta-vozes da coalizão opositora Coordenadoria Democrática, Agustín Berríos, indicou que o dia 4 de dezembro foi fixado como "data-limite" pelos setores da oposição. "Não dispomos de todo o tempo para negociar interminavelmente, queremos um resultado rápido", disse Berríos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.