Gaviria alerta para violência iminente na Venezuela

Manifestantes que apóiam o presidente Hugo Chávez e os que querem tirá-lo do poder protagonizaram o primeiro confronto direto ao final da noite de quinta-feira, na região da Candelaria, no centro da cidade. Ao mesmo tempo, o secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), César Gaviria, advertia, a poucas quadras dali, que, se os dois lados não encontrarem um acordo para resolver a grave crise que vive o país na mesa de negociações, as ruas serão o palco da solução. "Todos sabemos que, nas ruas, há muita polarização", disse. Gaviria afirmou também que as duas partes em que o país está dividido ainda estão longe de um acordo. "Não há uma solução à vista, isso é verdade", lamentou o secretário-geral da OEA, depois de mais uma sessão de encontros em um hotel de Caracas. Ele disse que o governo exigiu um árbitro confiável se os dois lados optassem pela via eleitoral, enquanto que a oposição fincou pé em fixar uma data para as eleições antecipadas. Em Washington, a Comissão de Direitos Humanos da OEA divulgou comunicado no qual a organização exorta os países membros a, de forma imediata e dentro dos marcos legais, utilizar todos os mecanismos disponíveis para colaborar com os venezuelanos na busca de uma solução urgente para evitar mais perda de vidas humanas e que permita assegurar ao país a plena vigência do Estado de direito. A OEA informou também que hoje será realizada, em Washington, uma reunião do Conselho Permanente da organização, na qual Gaviria, em teleconferência, dará um informe sobre a situação da Venezuela e o estágio das negociações que vem mediando. Quase no mesmo horário, o subsecretário adjunto para o Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Tom Shanos, deverá estar se reunindo com membros do governo e da oposição. Shanos, que chegou a Caracas ontem à noite, deve encontrar-se ainda com o vice-presidente José Vicente Rangel, César Gaviria e parlamentares do Congresso venezuelano. Trata-se do primeiro enviado dos EUA e do presidente George W. Bush desde que Chávez chegou ao poder em fevereiro de 1999. O governo dos Estados Unidos afirmou hoje num comunicado estar "convencido" de que a única saída "pacífica viável" para a crise na Venezuela é "a realização de eleições antecipadas". Até pouco mais da meia noite de ontem (2h de sexta-feira no Brasil) alguns disparos e a explosão de bombas de gás de efeito moral e sirenes podiam ainda ser ouvidos em algumas ruas de Caracas. Para piorar a situação, os dois principais jornais do país, "El Universal" e o "El Nacional" parecem ter se transformado em panfletos da oposição que quer derrubar o governo "custe o que custar". Pouco ou nenhum espaço é dedicado a informações do governo. Na edição de hoje, por exemplo, as manchetes, com fotografias de meia página, destacam uma assembléia de funcionários da PdVSA (Petróleos de Venezuela), ontem, em Caracas, onde apenas uma parte dos trabalhadores decidiu continuar a greve e exigir a renúncia de Chávez. Esses jornais, e as emissoras de televisão, não informam que outra grande parte de funcionários da estatal também se reuniu em outro local, onde decidiu-se dar apoio total ao governo e à permanência do presidente. Daí a insatisfação de grande parte da população com os principais meios de comunicação. Ontem, por exemplo, o ministro de Relações Exteriores, Roy Chaderton, junto a outros funcionários do governo, reuniu 75 embaixadores que representam seus países na Venezuela para fazer um balanço da situação política no país e explicar sobre os problemas que a indústria de petróleo enfrenta. No entanto, jornal algum traz essa informação. "Fomos informados sobre toda essa situação que enfrenta o país e, no devido momento, vou poder comentar sobre esse encontro", disse à Agência Estado o embaixador do Brasil, Rui Nogueira.

Agencia Estado,

13 Dezembro 2002 | 14h06

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