Gaza: doentes denunciam pressão

Serviço secreto de Israel desmente que os force a espionar

Toni O?Loughlin, The Guardian, O Estadao de S.Paulo

05 de agosto de 2008 | 00h00

A polícia secreta de Israel pressiona palestinos de Gaza a servir de espiões em sua própria comunidade em troca de tratamento médico de urgência, indicou um relatório divulgado por uma organização israelense de defesa dos direitos humanos. A organização Médicos pelos Direitos Humanos afirma que o Shin Bet (serviço secreto) vem interrogando palestinos que precisam de autorização para viajar a Israel em busca de atendimento médico desde que Israel instituiu o bloqueio e declarou a Faixa de Gaza entidade inimiga, há mais de um ano. O Shin Bet negou a acusação, mas diz que faz checagens de segurança dos palestinos que saem de Gaza para garantir que eles não representam nenhuma ameaça. Segundo o relatório da ONG, os pacientes são levados para um quartinho em um subterrâneo, embaixo do posto de segurança de Erez, o único aberto entre Gaza e Israel, onde são interrogados durante horas pelos agentes, diz o relatório. A recusa em colaborar muitas vezes resulta na proibição do tratamento médico. Com base em testemunhos de mais de 30 palestinos, o relatório diz que o Shin Bet usa a coerção para forçar os doentes a espionar. "Eles me levaram por passagens subterrâneas e um homem me levou a uma sala para o interrogatório", informou Bassam al-Wahidi, um jornalista que apóia o Fatah. "Depois que respondi a todas as perguntas, ele me disse: ?ou você faz contato comigo e concorda com minhas exigências, ou não receberá tratamento médico, ficará cego e se tornará um peso para sua família e seus amigos?", disse Wahidi. Ele declarou que rejeitou a proposta e foi obrigado a voltar para Gaza sem receber tratamento. Agora, o jovem de 28 anos, que se casou há um ano e meio, está completamente cego do olho direito e está perdendo a visão do olho esquerdo. Ele é um dos inúmeros casos de pacientes de Gaza que não receberam tratamento médico porque se recusaram a dar informações sobre amigos, vizinhos e parentes. Na comunidade palestina, a colaboração é um crime punido com a morte.

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