Gaza na mira

Mais uma vez, Israel acertou o alvo com sua violência, eficácia e precisão habituais: um ataque aéreo na Faixa de Gaza matou o líder militar do Hamas, Ahmed Jabari. Foi um golpe certeiro. Para avaliarmos sua dimensão, vejamos a situação da Palestina em relação a Israel. Ou "das Palestinas", porque não há apenas uma, mas duas - a da Cisjordânia, moderada, e a da Faixa de Gaza, nas mãos radicais do Hamas desde 2007.

GILLES LAPOUGE, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2012 | 02h06

Foi ali que Israel realizou uma incursão que matou Jabari. Esse homem de 52 anos era o líder do braço militar do Hamas, as Brigadas Ezzedine al-Qassam. É claro que, oficialmente, Jabari era apenas o número 2 da facção armada em Gaza. Ele tinha um superior: Mohamed Deif, que, aleijado em razão de uma série de enfermidades provocadas pelas feridas que lhe foram infligidas pelo Exército israelense, não pode exercer suas funções. Jabari era, portanto, o verdadeiro líder militar.

Ele era um personagem respeitado. Foi o arquiteto do golpe com o qual o Hamas tomou o controle da Faixa de Gaza, há cinco anos. Nunca era visto em público, pois sabia que era visado pelos soldados de Israel. Fez uma única aparição em pleno dia, em 2011, quando dirigiu a troca do soldado israelense Gilad Shalit, prisioneiro do Hamas, por mil militantes palestinos detidos em Israel.

A execução de um líder tão prestigioso enfureceu o Hamas. Nos termos apocalípticos que o caracterizam, o Hamas declarou que Israel "reabriu as portas do inferno". Os israelenses replicaram concisamente, avisando os militantes que, "se continuarem a promover o terrorismo, também morrerão".

A execução de Jabari foi precedida por uma escalada dos riscos. Há oito dias, a violência de ambos os lados se multiplicou na fronteira entre os dois territórios. No sábado, quatro soldados israelenses foram feridos ao longo da linha de demarcação por foguetes disparados de Gaza. O ritmo dos incidentes aumentou: 6 palestinos foram mortos e outros 35 ficaram feridos. A execução do líder militar inscreve-se nessa sequência de violência.

Será preciso invocar elementos políticos? Há duas observações a fazer: por um lado, dentro de 15 dias, a ONU examinará um pedido apresentado pela Autoridade Palestina para que lhe seja destinada uma cadeira na Assembleia-Geral como Estado observador. É preciso lembrar também que, há alguns dias, a Faixa de Gaza recebeu, pela primeira vez, a visita oficial de um importante líder árabe: o xeque Hamad bin Khalifa al-Thani, emir do Catar, país riquíssimo, que compra em todos os países do mundo palácios e clubes de futebol e enviou a Gaza um cheque de US$ 400 milhões.

Seu gesto surpreendeu. O Catar, país complicado, ambíguo, que mantém boas relações com o Ocidente, mas bota lenha na fogueira do islamismo, alardeava, portanto, em plena luz do dia, sua escolha entre as duas Palestinas. Desdenhando a Autoridade Palestina do moderado Mahmoud Abbas, na Cisjordânia, o Catar tomou o partido da Palestina radical do Hamas, em Gaza.

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