AP Photo/Manu Fernandez
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Geada histórica paralisa Madri, que teve dia mais frio em 50 anos

Capital da Espanha registrou -10,8ºC na madrugada desta terça; tempestade de neve Filomena já deixou cinco mortos no país europeu

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2021 | 15h14

MADRI - Após a nevasca do fim de semana, Madri viveu na madrugada desta terça-feira, 12, uma histórica geada que está complicando a limpeza das ruas, repletas de pedras de gelo e com uma mobilidade mínima de veículos e pedestres.

A capital espanhola alcançou uma temperatura mínima de -10,8ºC, um recorde nos últimos 50 anos, segundo a agência de meteorologia estatal, AEMET. "Continuamos em alerta", declarou o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska. Ao menos 545 estradas espanholas foram afetadas pelo gelo e pela neve, de acordo com a agência EFE. 

O centro da Espanha continua coberto pela neve da tempestade Filomena que deixou cinco mortos. Na província de Teruel, ao leste de Madri, os termômetros chegaram a -25,4ºC, de acordo com a AEMET, que descreveu uma "madrugada gélida" com temperaturas "históricas" e "claramente abaixo dos normais para a época em todo país". As regiões de Castilla y León (centro-norte), Castilla La Mancha (centro) e Aragón (nordeste) também tiveram temperaturas abaixo dos 10 graus negativos. 

"É possível que estejamos diante de uma das noites mais frias de nosso país em muitas décadas", comentou Ruben del Campo, porta-voz da agência de metereologia. Em entrevista ao jornal espanhol El Comércio, Campo comentou que os registros de temperatura desta nevasca têm "poucos precedentes no século atual". 

O frio extremo petrificou a neve que caiu durante o fim de semana em Madri. Nesta terça, tanto os funcionários da prefeitura como os moradores continuavam lutando para limpar as calçadas com pás, vassouras e sal grosso, juntando grandes montes de gelo.

As principais avenidas da capital foram abertas no domingo, com a ajuda do Exército. Mas as ruas secundárias e até mesmo ruas comerciais permanecem inacessíveis, com milhares de árvores caídas, devido ao peso da neve, e um tráfego mínimo de veículos e de pessoas. 

Pequeno comércio sofre

O simples fato de caminhar pela rua é um perigo devido à formação de películas de gelo no chão e aos sincelos que pairam nos prédios. Desde segunda-feira, mais de 2 mil pessoas foram atendidas por traumatismos nas emergências dos hospitais locais, que também precisam tratar os pacientes de covid-19.

A escassa circulação prejudica o pequeno comércio da cidade que, com os efeitos econômicos da pandemia, soma agora uma semana de atividade mínima. Nos mercados, houve interrupções de abastecimento na segunda. Na terça, a atividade foi retomada no Mercamadrid - grande plataforma logística de distribuição de alimentos frescos.

A geada noturna também deixou alguns prédios sem água corrente. O Canal de Isabel II, empresa pública de gestão da água na região de Madri, informou ter atendido desde o fim de semana cerca de 2 mil incidências das 3.600 comunicadas, segundo o governo regional.

Nas escolas, as aulas presenciais foram suspensas por toda semana na região da capital espanhola. No setor de transportes públicos, o metrô continua funcionando e os ônibus urbanos retornaram às ruas, destacando que darão prioridade às rotas que incluem parada nos hospitais. / EFE e AFP

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