Depois das sanções contra Teerã, ajuste na oferta de petróleo é necessário, diz Geithner

Secretário do Tesouro americano faz alerta sobre sanções da Europa e EUA à compra de petróleo iraniano que passam a valer em meados deste ano

Denise Chrispim Marin, correspondente em Washington,

21 de abril de 2012 | 13h59

Ao trazer a política americana contra o programa nuclear iraniano para os debates do Fundo Monetário Internacional, o secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, alertou nesta sexta-feira (20) para a necessidade de ajustar a oferta de petróleo a partir da vigência de novas sanções contra Teerã, em meados deste ano. As sanções envolverão a não renovação de contratos de compra de petróleo iraniano pelos países europeus e a punição, nos EUA, às subsidiárias ou matrizes de companhias no exterior com negócios vigentes com o setor petroleiro daquele país.

"Há um claro foco mundial em pressionar o Irã a abandonar suas atividades (nucleares) ilegais", afirmou Geithner, ao apresentar as sanções dos EUA e da Europa como instrumentos dotados de mandato multilateral. "A cooperação continuada para assegurar o suprimento adequado vai sinalizar para o mercado mundial de energia que haverá produção suficiente para atender a demanda", completou, ao indiretamente apelar pelo bom diálogo entre países exportadores e importadores.

Geithner enfatizou, em seu discurso no Comitê Monetário e Financeiro do FMI, o risco dos altos preços do petróleo para o crescimento mundial. Nos últimos meses, os EUA e seus parceiros se empenharam em extrair de países exportadores, especialmente da Arábia Saudita, o compromisso de aumento da oferta. Com resultados positivos, segundo Geithner, evidenciados com a queda dos preços nas últimas semanas e o aumento dos estoques mundiais.

"É importante que nós nos mantenhamos vigilantes com os riscos de queda na oferta e com seus efeitos no crescimento econômico", salientou.

A abordagem de Geithner sobre os efeitos das novas sanções européias sobre o Irã no mercado mundial de petróleo divergiu da apresentada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Indiretamente, Geithner mencionou as sanções como uma ação coordenada multilateralmente. Mantega, em eco à posição do Palácio do Planalto, as qualificou como medidas unilaterais com potencial de "desestabilizar" a economia mundial.

"Recentes medidas para reduzir as exportações de petróleo do Irã poderiam provocar um aumento nos preços de petróleo, colocando a recuperação mundial em ameaça. Sanções econômicas, especialmente as unilaterais, tendem a ser contraprodutivas", afirmou Mantega, no mesmo comitê do FMI. "Nós conclamamos todas as partes envolvidas a manter o diálogo com espírito construtivo e a dar as boas vindas aos recentes sinais de progresso nas negociações (nucleares)", completou, referindo-se às conversas entre o Irã e o grupo formado por EUA, Grã-Bretanha, França, China, Rússia e Alemanha.

Em seu discurso, o diretor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OCDE), Hasan Qabazard, não fez nenhuma menção aos impactos das novas sanções ao Irã nem a outros episódios geopolíticos nos preços do petróleo. A produção de seus sócios alcançou 31,3 milhões de barris diários em março passado, volume que "excede de longe os requerimentos da Opep para este ano". O mercado, segundo ele, está "bem suprido", mas os preços continuam a ser empurrados para cima por pura especulação.

"Está claro que os níveis correntes dos preços de petróleo bruto não têm explicação nos fundamentos. Ao contrário, a percepção sobre uma potencial escassez de petróleo fez os preços subirem, em vez de qualquer evidência de impossibilidade de suprimento", informou Qabazard. "Esses temores, amplificados pelas atividades especulativas, continuam a empurrar os preços para cima."

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