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Geladeiras vazias: um retrato da grave crise no Líbano

Colapso econômico do país mergulhou boa parte da população na precariedade

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2020 | 04h00

BEIRUTE - As geladeiras praticamente vazias em muitos lares são a imagem que resume o colapso econômico do Líbano, crise que mergulhou boa parte da população na precariedade.

Sem conseguir cumprir seus compromissos da dívida desde março deste ano, pela primeira vez em sua história, o Líbano viu sua moeda nacional - a libra - despencar no mercado paralelo, embora sua taxa de câmbio oficial se mantenha no mesmo patamar.

Agora, um salário de um milhão de libras libanesas vale, nas ruas, menos de US$ 200. No verão passado, esse valor chegava a pelo menos US$ 700.

Em um país que depende, em grande medida, das importações, o impacto dessa desvalorização chega com força. Os preços aumentaram de maneira vertiginosa, e milhares de empresas quebraram, ou demitiram muitos de seus funcionários.

Os fotógrafos da AFP passaram vários dias visitando casas das principais cidades do país, como Beirute, Trípoli, Biblos e Sidon.

Vários libaneses e libanesas aceitaram posar ao lado de suas grandes geladeiras, em cozinhas espartanas.

Amareladas pelo uso, ou de um branco impecável, estas geladeiras têm um ponto em comum: estão vazias, ou quase.

Fadwa Merhebi confessa que não tem dinheiro para fazer compras. Em sua geladeira, há água e pepinos.

"Se tivessem geladeiras menores, venderia esta e compraria uma", diz esta mulher de 60 anos, que vive sozinha em um minúsculo apartamento em Trípoli (norte).

"Pelo menos poderia usar o dinheiro para comprar comida", suspira.

A outrora chamada Suíça do Oriente Médio parece ter desaparecido, e uma nova classe social de libaneses pobres emergiu na sociedade. A cada dia, somam-se a ela libaneses de classe média que veem seu poder aquisitivo se deteriorar.

Junto com a crise econômica estão as restrições necessárias para evitar a propagação do novo coronavírus. Segundo o Banco Mundial, mais da metade da população libanesa vive hoje abaixo da linha da pobreza. /AFP

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