EFE
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Geleira do Himalaia desaba em rio, causa onda e soterra pessoas na Índia

Autoridades dizem que entre 125 e 200 pessoas estão desaparecidas; até agora, só sete corpos foram resgatados

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2021 | 04h35

RISHIKEESH, ÍNDIA - Até 200 pessoas estão desaparecidas no norte da Índia depois que um grande fragmento de uma geleira do Himalaia desabou em um rio, causando uma forte torrente que submergiu duas usinas de energia e destruiu estradas e pontes neste domingo, 7.

Até que a noite impedisse as buscas, sete corpos haviam sido encontrados, segundo as autoridades do Estado de Uttarakhand, que registraram entre 125 e 200 desaparecidos, segundo as autoridades.

O chefe da Polícia do Estado de Uttarakhand, Ashok Kumar, havia dito anteriormente que uma operação de emergência havia sido desencadeada para tentar resgatar cerca de 17 pessoas presas em um túnel. Depois, o primeiro-ministro do Estado de Uttarakhand, Trivendra Singh Rawat, disse que pelo menos 125 pessoas estão desaparecidas, mas que o saldo pode aumentar.

Kumar mencionou anteriormente a possibilidade de 200 desaparecidos apenas das usinas impactadas pela torrente.

A enorme torrente cruzou o vale do Rio Dhauliganga, destruindo tudo em seu caminho, segundo vídeos filmados por moradores da região.

"Uma nuvem de poeira subia à medida que a água avançava. O solo estava tremendo como um terremoto", disse Om Agarwal, um morador local, a uma emissora de TV  local.

A maioria dos desaparecidos são trabalhadores de duas usinas de energia que foram arrastados pela torrente causada por um grande pedaço de geleira que caiu da encosta de uma montanha, disse Kumar.

“Havia cerca de 50 trabalhadores na fábrica de Rishi Ganga e não temos informações sobre eles. Outros 150 trabalhadores estavam em Tapovan”, disse.

Com a estrada principal totalmente destruída, a passagem que levava até o local estava cheia de lama e pedras. O agentes tiveram que descer uma encosta com cordas para acessar o local.

Centenas de equipes de resgate, apoiadas por helicópteros e aviões, foram deslocadas para a região.

Represas são esvaziadas para conter enchentes

As autoridades tiveram que esvaziar as represas para conter a enchente, cujas águas chegaram ao Ganges. As autoridades proibiram a população de se aproximar das margens do rio sagrado.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, disse que monitora a operação de resgate. "A Índia apóia Uttarakhand e toda a nação ora pela segurança de todos os que estão lá", tuitou o líder.

Um total de 14 geleiras estão perto do rio, no Parque Nacional Nanda Devi,  e são objeto de estudos científicos que avaliam se os  temores crescentes tem relação com mudanças climáticas e o desmatamento.

"Avalanches são fenômenos comuns na bacia do rio", M.P.S. Bisht, diretor do Uttarakhand Space Application Center.

As devastadoras enchentes de monções em Uttarakhand em 2013 causaram mais de 6 mil mortes, levando a uma revisão dos planos de desenvolvimento no Estado, particularmente em áreas isoladas, como aquelas próximas à barragem Rishi Ganga.

Uma Bharti, ex-ministra de Recursos Hídricos, disse que quando era membro do governo havia solicitado o congelamento de projetos hidrelétricos em áreas "sensíveis" do Himalaia, como o Ganges e seus afluentes.

Vimlendhu Jha, fundador da ONG ambientalista Swechha, disse que o desastre é um "apelo sinistro" sobre os efeitos da mudança climática e o "desenvolvimento aleatório de estradas, ferrovias e usinas de energia em áreas ecologicamente sensíveis".

“Ativistas e residentes têm se oposto sistematicamente a grandes projetos no vale do rio”, acrescentou. / AFP

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