Gemalto confirma invasão do sistema, mas diz que códigos não foram afetados

A Gemalto, companhia holandesa de telecomunicações, afirmou que os departamentos de Inteligência dos EUA e do Reino Unido podem ter sido responsáveis por uma "invasão sofisticada" em seu sistema há alguns anos, mas negou que a invasão, denunciada pelo site The Intercept no dia 19 de fevereiro, comprometeu os códigos criptografados nos chips de bilhões de telefones celulares ao redor do mundo.

Estadão Conteúdo

25 de fevereiro de 2015 | 13h09

A empresa, uma das maiores fabricantes de chips para telefone celular e cartão de crédito do mundo, divulgou nesta quarta-feira as conclusões iniciais de uma investigação interna em resposta à denúncia de que a Sede das Comunicações do Governo britânico (GCHQ, na sigla em inglês), em cooperação com a Agência de Segurança Nacional americana (NSA, na sigla em inglês), teriam invadido o sistema da Gemalto para roubar códigos que permitem espionar telefones celulares ao redor do mundo.

A investigação detectou invasões em 2010 e 2011, mas afirmou que elas atingiram "somente sistemas superficiais que não podem ter resultado em um roubo massivo de chaves criptografadas". A empresa disse que estabeleceu um sistema seguro de transferência com seus clientes em 2010 e que, somente em raras exceções, as agências de espionagem podem ter escutado conversas. Além disso, a espionagem teria afetado apenas sistemas 2G, pois os sistemas 3G e 4G são imunes a este tipo de ataque.

O diretor executivo da Gemalto, Olivier Piou, demonstrou preocupação com o fato de agências governamentais estarem visando empresas privadas, mas disse que a empresa não planeja entrar com nenhuma ação legal. "A invasão provavelmente aconteceu, mas é difícil provar legalmente nossas conclusões, então não vamos tomar medidas legais", afirmou.

A NSA e a GCHQ não comentaram sobre o caso. O Wall Street Journal ainda não verificou as afirmações da Gemalto. A empresa reconheceu que não é possível provar que outras invasões ao sistema da Gemalto ou outras empresas não ocorreram para conseguir chaves criptografadas atualizadas. Fonte: Dow Jones Newswires e Associated Press.

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