Florion Goga/Reuters
Florion Goga/Reuters

Gêmeas de 18 meses estão entre desaparecidos na Albânia após terremoto

Número de mortos subiu para 30, decorrente do tremor de magnitude 6,4 graus; mais de 600 pessoas ficaram feridas e país recebe ajuda da Itália, Grécia e França

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2019 | 20h55

DURRES, ALBÂNIA - Equipes de resgate da Itália tentaram salvar nesta quarta-feira, 27, seis membros de uma mesma família, incluindo duas crianças gêmeas de 18 meses, presos em escombros quando sua casa desabou após o pior terremoto da Albânia em décadas.

O número de mortos no terremoto de terça-feira aumentou para 30, enquanto as equipes de resgate vasculhavam os restos da casa de quatro andares na cidade portuária de Durres, no Mar Adriático.

Nove membros da família Lala ficaram presos inicialmente, mas um menino de 17 anos foi retirado vivo na terça-feira, e os corpos de uma mulher de 79 anos e de uma menina de oito anos foram recuperados.

As equipes de resgate, assistidas por parentes e pelo pai das crianças gêmeas, acreditam que as duas meninas com 18 meses, dois meninos de seis e sete anos, uma adolescente de 16 anos e um homem com deficiência de 52 anos ainda estejam sob os escombros.

Além dos 30 mortos em todo o país, o Ministério da Defesa disse que 650 pessoas ficaram feridas, a maioria já tendo sido liberada dos hospitais, e 20 estão desaparecidas.

Se o número de mortos continuar a aumentar, o terremoto poderá ser mais mortal do que um em 1979, quando 40 pessoas perderam a vida.

O tremor de terra de 6,4 graus de magnitude, com epicentro a 30 km ao oeste da capital Tirana e 10 km de profundidade, de acordo com o Centro Sismológico Euromediterrâneo, foi sentido nos Bálcãs e na região de Apúlia, ao sul da Itália, do outro lado do Mar Adriático.

Um outro terremoto de magnitude 5,3 também atingiu a costa da Albânia na tarde desta quarta-feira, a 38 km de Tirana, causando rachaduras em um prédio de apartamentos residenciais em uma rua principal da capital.

As autoridades decretaram estado de emergência nas duas cidades mais afetadas: Durres e Thumane, ao norte da capital Tirana. Vários edifícios desabaram nas duas localidades.

Desde então, as equipes de emergência lutam contra o tempo para encontrar sobreviventes nas montanhas de escombros, com o auxílio de cães farejadores e equipamentos. Até o momento foram encontradas 45 pessoas com vida. O país recebe o apoio de mais de 200 especialistas italianos, gregos e franceses.

Durante a manhã desta quarta, os bombeiros encontraram os corpos de um casal em Thumane, Pellumb e Celike Greku. O filho Saimir foi resgatado com vida na terça-feira à noite, mas não resistiu e faleceu no hospital, informaram parentes e vizinhos.

A Albânia decretou nesta quarta-feira um dia de luto nacional. As comemorações da independência, previstas para 28 e 29 de novembro, foram canceladas. 

O país é conhecido pelo urbanismo selvagem, especialmente nas zonas turísticas. De acordo com o sismólogo albanês Rrapo Ormeni, este foi o terremoto mais potente registrado na área turística de Durres desde 1926.

A mesma região da Albânia foi cenário em setembro de um terremoto de 5,6 graus, que na ocasião as autoridades consideraram o mais forte dos últimos 20 a 30 anos.

Os Bálcãs são uma região de forte atividade sísmica pelos movimentos das placas tectônicas africanas e euroasiáticas, assim como da microplaca Adriática. Os tremores são frequentes. Em 1963, um terremoto deixou quase mil mortos em Skopje. / REUTERS e AFP

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