Reuters
Reuters

Generais do Egito dizem aceitar troca de comando

Presidente afirma que destituição da cúpula militar ligada a Mubarak não foi pessoal

estadão.com.br,

13 de agosto de 2012 | 20h57

CAIRO - Generais egípcios afastaram nesta segunda-feira, 13, temores de um embate entre militares e civis pelo poder, indicando que aceitam a destituição do comando das Forças Armadas. A mudança foi determinada no domingo pelo primeiro presidente eleito do Egito, Mohamed Morsi. Do outro lado, Morsi também buscou demonstrar que não quer o confronto – ele elogiou a "missão sagrada" dos militares e disse que as mudanças "beneficiam toda a nação".

Veja também:

link Pistoleiros matam líder tribal egípcio no Sinai

link Presidente do Egito ordena aposentadoria de dois generais

Entre os comandantes afastados está o poderoso ministro da Defesa e ex-chefe da junta militar que governava o Cairo, marechal Mohamed Hussein Tantawi. O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e os comandantes das três forças também foram destituídos ou realocados em postos secundários.

Os generais comandaram o Egito por seis décadas e, após a queda de Hosni Mubarak, tentaram se blindar contra a emergência de um poder civil. No governo interinamente após o fim do regime Mubarak, o Comando Supremo das Forças Armadas (CSFA) dissolveu em junho o Parlamento dominado por partidos islamistas e limitou os poderes da presidência – medida revertida no domingo por Morsi.

"A decisão que tomei não foi dirigida a uma pessoa em especial nem tinha por objetivo prejudicar uma instituição ou cercear liberdades", garantiu o presidente em suas primeiras declarações sobre as destituições. "Tampouco quis enviar uma mensagem negativa sobre uma determinada pessoa. Meu objetivo foi o benefício dessa nação e desse povo", completou.

Morsi ainda elogiou os militares, cujo regime lhe rendeu anos na prisão. "As Forças Armadas têm a sagrada missão de proteger a nação."

Consultas

Fontes militares, citadas em condição de anonimato pela imprensa egípcia, indicam que a mudança no comando militar foi acordada diretamente com os generais. Um oficial garantiu à agência estatal de notícias que "não houve reação negativa" às decisões.

Em entrevista à Reuters, o general Mohamed al-Assar, integrante do CSFA, afirmou que a troca na cúpula das Forças Armadas "teve base em consultas com o marechal (Tantawi) e o restante do conselho militar".

O escritório da presidência anunciou que Tantawi e o chefe do Estado-Maior receberão a mais alta condecoração do governo egípcio, a medalha do Nilo, e passarão a atuar como "conselheiros". O cargo dos dois foi ocupado cumulativamente pelo general Abdul Fattah al-Sisi – que estudou em academias militares dos EUA e teria a confiança de Washington.

Não está claro, porém, até onde foi a anuência dos militares com a mudança de comando. Na semana passada, Morsi afastara o ministro da Inteligência – tido como um remanescente da ditadura Mubarak – após militantes islâmicos matarem 16 guardas de fronteira do Egito na Península do Sinai. O presidente também ordenara a destituição do presidente da polícia nacional, instituição que comandou a repressão aos protestos iniciados em janeiro de 2011.

Resta ainda a Suprema Corte se pronunciar sobre a decisão do presidente de reverter o decreto militar que limitava seus poderes. O Judiciário, por enquanto, permanece calado

Quadro histórico da Irmandade Muçulmana, maior grupo de oposição na era Mubarak, Morsi foi eleito em junho.

Com Reuters 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.