General americano diz que, se preciso, apoiará ações terrestres no Iraque

Em audiência no Congresso dos Estados Unidos, ontem, o general Martin Dempsey disse que, se a campanha militar contra o Estado Islâmico (EI) não der certo, ele recomendará ao presidente Barack Obama o envio de tropas americanas para o Iraque.

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2014 | 02h03

Chefe do Estado-Maior Conjunto, Dempsey participou de um painel do Senado e afirmou que o objetivo dos conselheiros americanos é ajudar as forças iraquianas com planejamento, logística e coordenação de esforços militares com parceiros da coalizão para derrubar membros do grupo Estado Islâmico.

"Para ficar claro, se chegarmos ao ponto em que acredito que nossos conselheiros devem acompanhar soldados iraquianos em ataques a alvos específicos do Isil (denominação original do EI), vou recomendar isso ao presidente", disse Dempsey ao Comitê das Forças Armadas do Senado, referindo-se ao Estado Islâmico por uma de suas siglas em inglês.

Pressionado durante o painel, Dempsey repetiu que "procuraria o presidente e faria a recomendação que poderia incluir o uso de forças terrestres". Obama continua a manter o discurso de que forças americanas não participarão de missões de combate no Iraque.

Dempsey e o secretário de Defesa, Chuck Hegel, enfrentaram várias questões dos congressistas na primeira audiência para examinar a campanha militar expandida de Obama com o objetivo de conter a ameaça extremista.

O Exército dos EUA conduziu ataques perto de Bagdá contra o EI, que controla grandes áreas do Iraque e da Síria. Obama busca apoio do Congresso para treinar e equipar moderados sírios que combatem tanto o grupo islâmico quanto as forças leais ao presidente Bashar Assad.

Dempsey disse que os EUA estão preparados para atacar alvos islâmicos na Síria. "Isso não vai parecer 'choque e pavor' porque não é como o Isil está organizado. Mas será persistente e sustentável", disse Dempsey, referindo-se aos bombardeios aéreos do início da guerra do Iraque, em março de 2003.

Vários congressistas expressam dúvidas sobre os EUA serem atraídos para uma guerra mais ampla, com um número cada vez maior de soldados americanos. O presidente já enviou mais de mil soldados americanos ao Iraque três anos após as forças de combate terem deixado o país.

Obama anunciou planos de estabelecer uma coalizão contra o EI na semana passada e potências mundiais reunidas em Paris na segunda-feira deram apoio público à ação militar para combater o grupo radical no Iraque.

União jihadista. Duas importantes facções da Al-Qaeda - Al-Qaeda no Magreb (AQM) e Al-Qaeda na Península Arábica (AQPA)- pediram ontem a todos os jihadistas que se unam na luta contra a coalizão idealizada pelos EUA para combater o EI no Oriente Médio.

"Parem com as lutas entre si e cerrem fileiras contra a campanha dos EUA e da aliança satânica que espera a todos nós", declararam a AQAP e a AQM, na rara declaração em conjunto, publicada na internet.

O EI combate vários grupos islâmicos rivais na Síria, incluindo a Frente al-Nusra, filial da Al-Qaeda no território, que tenta resistir ao avanço dos radicais sunitas.

O EI também iniciou uma disputa com a Al-Qaeda, grupo fundado por Osama bin Laden, pela liderança da militância jihadista no mundo. / AP, EFE e REUTERS

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