General argentino admite tortura e assassinato

"Como é que você pode conseguir informação (de um detido) se não dá uma prensada nele, se você não o tortura?". A afirmação é do general Ramón Díaz Bessone, presidente do Círculo Militar, que também explicou que o governo militar, durante a última ditadura (1976-83), ordenou o assassinato clandestino de 7 mil pessoas. Esta foi a primeira vez que um alto integrante da cúpula da ditadura admitiu a tortura e o assassinato de opositores do regime.A confissão de Bessone foi realizada ao canal Plus da França - que amanhã transmitirá um documentário sobre a repressão durante a ditadura - e reproduzida hoje pelo jornal Página 12. Bessone afirmou que o número de desaparecidos durante a ditadura, que os organismos de defesa dos direitos humanos afirmam ser de 30 mil pessoas, é mera "propaganda". Segundo o general, "não passaram de 7 mil".O militar lamentou que não puderam fuzilar as 7 mil pessoas. "Você acha que teria sido possível fuzilar todas essas pessoas? Veja só a bagunça que o papa aprontou quando (o ditador espanhol Francisco) Franco mandou fuzilar três". A saída para o impasse criado por uma eventual reação negativa do papa Paulo VI, segundo Bessone, foi a de assassinar de forma clandestina milhares de argentinos. Na avaliação do militar, o Exército foi "muito eficaz" na luta contra a "subversão", que "foi aniquilada em não mais de três anos".

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