General assume comando contra manifestantes na Tailândia

Forças acionadas pelo vice-premiê falharam em capturar líderes do protestos da oposição

Agência Estado e Associated Press

16 de abril de 2010 | 14h44

Manifestantes enfrentam Polícia de choque em Bangcoc, capital do país.

 

BANGCOC - O primeiro-ministro da Tailândia entregou ao comandante do Exército nesta sexta-feira, 16, a tarefa de restaurar a ordem após as sangrentas manifestações políticas ocorridas no país, retirando a responsabilidade do vice-primeiro-ministro, após uma fracassada missão para deter os líderes dos protestos contra o governo.

O primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva declarou em rede nacional que o general Anupong Paochinda está a cargo de evitar a violência dos manifestantes conhecidos como Camisas Vermelhas, cujo objetivo é destituir seu governo.

"A decisão foi tomada para tornar a linha de comando mais efetiva e rápida", disse Abhisit. "Por essa razão, eu dei a ordem para que o comando passe para Anupong, o comandante do Exército." Ele disse que as forças de paz serão capazes de "reunir as forças de uma forma mais unida e integrada para que possam lidar especificamente com atividades relacionadas ao terrorismo".

As tropas não conseguiram impedir os manifestantes camisas vermelhas que têm cercado Bangcoc no último mês. Uma tentativa de dispersar os manifestantes de um dos dois principais locais de protesto no último sábado acabou em violentos confrontos, que deixaram 24 mortos e mais de 800 feridos.

Revés

As forças de segurança sofreram hoje novo revés ao tentar prender Arisman Pongruangrong, um líder militante dos Camisas Vermelhas, escondido num hotel. Ele escapou da varanda do terceiro andar usando uma corda. Arisman fugiu de carro e dois policiais foram feitos reféns por seus partidários.

Menos de 30 minutos mais cedo, o vice-primeiro-ministro Minister Suthep Thaugsuban, a autoridade substituída pelo comandante do Exército, havia anunciado na televisão que comandos policiais haviam cercado o hotel e detido Arisman e outros líderes manifestantes.

A tentativa frustrada de prisão mostrou que o governo está disposto a arriscar um novo confronto com os Camisas Vermelhas, em geral trabalhadores rurais que apoiam o deposto primeiro-ministro Thaksin Shinawatra que fazem campanha para retirar Abhisit do cargo, dissolver o Parlamento e realizar novas eleições.

Mas a ação do governo serviu apenas para irritar os Camisas Vermelhas, que imediatamente declararam "guerra" ao governo. "A partir de agora, nossa missão é caçar Abhisit. Esta é uma guerra entre o governo e os Camisas Vermelhas", disse Arisman, um carismático cantor pop que se tornou ativista, a seus partidários depois de escapar.

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