General da cúpula de Damasco deserta

Fuga para Paris de amigo íntimo de Assad é a 1ª deserção no topo do regime sírio

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2012 | 03h04

Pela primeira vez em 17 meses de crise na Síria, um integrante da cúpula do regime de Bashar Assad desertou e estava ontem a caminho da França. A notícia da debandada do general Manaf Tlass, comandante de uma unidade da Guarda Republicana - a força pretoriana do clã Assad -, foi confirmada pelo chanceler francês, Laurent Fabius, durante reunião da oposição síria em Paris.

Nos últimos meses, à medida que a crise na Síria se aproxima de um estado de completa guerra civil, as deserções entre oficiais de alta patente do regime Assad intensificaram-se. A cúpula do regime, entretanto, não havia exposto sinais de cisão - até a deserção anunciada ontem.

Tlass era tido como amigo íntimo, além de confidente, do presidente Assad. Seu pai foi ministro da Defesa por 32 anos, cuidando da transferência do poder entre Hafez Assad, morto em 2000, e o herdeiro do regime, Bashar.

Ontem, o chanceler francês não mencionou o nome do general e apenas disse que "uma alta autoridade" da Guarda Republicana havia desertado e estava "a caminho de Paris". Horas depois, assessores de Fabius confirmaram que se tratava de Tlass.

"Todos acreditam que (essa deserção) é um duro revés para o regime Assad", disse o ministro. Na reunião em Paris, potências ocidentais e países árabes que formam o chamado "grupo de amigos da Síria" prometeram ampliar o apoio à oposição síria e incentivar novas deserções.

Na segunda-feira, 85 militares sírios fugiram para a Turquia. Entre eles, estavam 1 general, 2 coronéis e 18 oficiais. No mês passado, um piloto sírio fugiu com seu MiG para a Jordânia, onde recebeu asilo.

Tlass é de uma das mais poderosas famílias sunitas da Síria e analistas dizem que sua debandada pode incentivar outros militares não alauitas - grupo sectário do clã Assad - a abandonar o regime. Ele fugiu para a Turquia e, de lá, teria embarcado para Paris.

Presente na reunião em Paris, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, ampliou ontem as críticas à Rússia e à China, que impedem o Conselho de Segurança da ONU de adotar sanções a Damasco. "Direi francamente: penso que Rússia e China acreditam que não estão pagando um preço por apoiar o regime", disse Hillary. / NYT e REUTERS

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