General dissidente é baleado durante protesto na Tailândia

Estado de emergência é estendido para 17 regiões e governo retira proposta de antecipar eleições para novembro

, O Estado de S.Paulo

14 Maio 2010 | 00h00

O general dissidente Khattiya Sawatdiphol, militar tailandês que passou para o lado dos manifestantes anti-governo, foi baleado ontem em Bangcoc diante de câmeras de TV enquanto o Exército se preparava para isolar o bairro onde os manifestantes se encontram entrincheirados. Um manifestante morreu nos confrontos com as forças de ordem.

Sawatdiphol, conhecido como Seh Daeng (Comandante Vermelho) foi baleado na cabeça enquanto falava com um repórter do jornal The New York Times. O militar, muito popular entre os manifestantes, foi levado em estado grave para um hospital na região controlada pelos manifestantes.

O episódio aprofundou a crise tailandesa. O estado de emergência que vigora em Bangcoc desde abril - quando os manifestantes invadiram o Parlamento - foi estendido para 17 das 76 províncias e o governo retirou a proposta de antecipar eleições para novembro, como forma de resolver o impasse. A informação foi anunciada pela televisão estatal, que citava ordens do primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva.

O regime acusa o general de ser um dos principais adversários da reconciliação. O militar, que se descreve como o estrategista dos opositores, é integrante da ala mais radical do grupo e acusou líderes do protesto de se curvarem ao governo.

O movimento dos camisas vermelhas, contrário ao governo, tem desafiado o estado de emergência, que proíbe reuniões com mais de cinco pessoas e dá amplos poderes à polícia e aos militares.

Após o incidente de ontem, os EUA fecharam sua embaixada em Bangcoc, alegando razões de segurança.

PARA ENTENDER

Os camisas-vermelhas são partidários do ex-premiê Thaksin Shinawatra, deposto em um golpe militar em 2006. O movimento exige a renúncia do premiê Abhisit Vejjajiva, a quem não reconhece, e a realização de novas eleições. Desde o começo das manifestações, em março, 30 pessoas já morreram.

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